nota: ‘Once‘, de John Carney

Uma semana na história de duas pessoas, marginais que se encontram nas ruas de Dublin – um músico que canta nessas ruas depois de passar o dia trabalhando na oficina do pai; e uma discreta vendedora de flores. O encontro, a aproximação e em comum a paixão pela música, comum a ambos: – ‘Eu não a conheço e a quero ainda mais por isso!’, cantam juntos, ao piano, os expressivos personagens sem nome interpretados por Glen Hansard e Markéta Irglová. Ele a faz relembrar da importância da música em sua vida; ela o estimula a sair em busca de um destino musical. Ambos sempre entreolhando-se sutilmente, carregados cada qual de suas histórias, de suas memórias, de suas frustrações – enxergando um no outro algo que só a música pode, de alguma forma, traduzir.

“Once” (Irlanda, 2008), de John Carney, traduz em si uma experiência musical e cinematográfica simples, de baixo custo orçamentário, mas rica em intensidades secretas desvendadas em nós quase sempre somente numa sala escura.

trailer:

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nota: a ficção é mais verdadeira que o real?

Michel Maffesoli

“Receptáculo dos sonhos, o cinema constitui o elo mágico por excelência, pois sua estrutura, como analisa com pertinência E. Morin, permite o jogo das sombras, dos sortilégio, da passividade, coisas que, como sabemos, são constitutivas da vida social. A sedução exercida por tal filme premiado ou por um outro dirigido para salas populares reside no fato de que ele oferece uma imagem precisa e perfeita do real, onde, segundo a expressão popular, a “ficção é mais verdadeira do que o real”.

“O cinema, obra de ficção, é o lugar preciso do desdobramento, nele é reinvestida essa potência mágica, alucinatória, quase patológica, esse desdobramento cuja forma mais completa é o sonho, e que permite essa “distância de si para si” (E. Morin).”

Trecho do capítulo quarto do livro “A Conquista do Presente”, de Michel Maffesoli.

Quilombo Rio dos Macacos resiste – vídeo do ato do dia 1 de agosto de 2012

No dia primeiro de agosto de 2012, quilombolas e pessoas de diversos movimentos e lutas realizaram ato de resistência e apoio ao Quilombo Rio dos Macacos, comunidade que enfrenta ação de despejo perpetrada pela Marinha do Brasil, embora tenha garantida pelo INCRA a sua condição de Quilombo. A comunidade reside há quase dois séculos na região.

O vídeo busca refletir o espírito do ato, que revela a relação dos quilombolas com a sua história de lutas, com a terra em que vivem e com a ludicidade e a cultura que – em meio às injustiças e a opressão – se manifestam com vigor e entusiasmo.

Partciparam do ato ativistas de diversos movimentos que atuam de forma permanente em defesa do Rio dos Macacos e de diferentes lutas por cidadania e diginidade humana, como Quilombo X, AATR, Akofena, Quilombo do Silva (Rio Grande do Sul), MNU de Lutas, Movimento dos Pescadores, Pastoral dos Pescadores, Sarau Bem Black, Campanha Reaja, Ocupa Salvador, #Aperteobranco e pessoas solidári@s às lutas em várias frentes de apoio e participação.

O lugar é alvo de uma ação judicial proposta pela Procuradoria da União, na Bahia, que pediu a desocupação do local para atender as “necessidades da Marinha” que pretende ampliar as instalações da base, onde residem 450 famílias de militares. Os quilombolas resistem não obstante todas as dificuldades, desde o enfrentamento jurídico contra a máquina que envolve esferas de Poder militares e políticas, até ações criminosas de intimidação por parte da Marinha, segundo denúncias dos próprios quilombolas.

Apoiar a luta do Quilombo Rio dos Macacos é, portanto, apoiar todas as comunidades, povos e pessoas que lutam por autodeterminação e pela garantia de seus direitos básicos, que vem sendo constantemente ameaçados pela lógica excludente do poder financeiro, oligopolista e autoritário, que sequestrou a dimensão política institucional. A luta é urgente e permanente.

Informe-se sobre o caso do Quilombo Rio dos Macacos, que participa de uma série de casos semelhantes por todo o país. O sítio Brasil de Fato faz um apanhado do caso do Quilombo Rio dos Macacos em Salvador: “Movimentos protestam pela permanência de quilombolas“.