seu roubo, seu ganha-pão, Salvador.

Captura de tela 2013-04-20 às 12.10.06

uma casa. Foto: fabricio ramos

Ontem o bar que eu frequento toda sexta-feira foi assaltado por dois jovens armados, às oito horas da noite. Eu não estava lá, excepcionalmente, justamente porque estava no Largo 2 de Julho durante a exibição do nosso curta no debate sobre Gentrificação. Ainda assim fomos ao bar depois e, com as portas fechadas, bebemos umas cervejas e conversamos com a dona do lugar, simpática amiga. Tudo estava bem, não obstante o susto e, claro, o prejuízo – coisas menores diante do risco que correram todos que lá estavam. Mas o susto fica… vai ficando… ninguém sabe.

Gentrificação“, basicamente, é um processo de transformação do espaço urbano que busca o “aburguesamento” de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas por classes populares, com a consequente expulsão dessas populações tradicionais, resultando na valorização imobiliária desses espaços. Essa expulsão nem sempre se dá dos modos mais convencionais.

O centro de Salvador – que viveu uma semana de terror (como tantas outras) com o assassinato do estudante da UFBA em plena Praça do Campo Grande e vários casos de assaltos e violências – sofre um processo de degradação social que parece, às vezes, planejado por forças obscuras (considerando, claro, que violência social não nasce de geração espontânea, sacou? A desiguladade social é a primeira violência).

“Forçar” os resistentes moradores, muitos de classe popular, a saírem de regiões como o Bairro Dois de Julho, ou das adjascências da Av. Carlos Gomes, dos Aflitos, ou das comunidades da Gamboa e da Vila Brandão – todos lugares próximos do Corredor da Vitória, do TCA, do MAM, da Marina, do “Yatch Club”, com belas vistas para a Baía, com vida nas ruas, comércio informal, feiras livres. Como dizia, “forçar” os moradores a saírem dessas áreas para cederam lugar a “empreendimentos de alto padrão” ou ao que quer que seja é o objetivo de certas forças (gente) que, no afã de lucro e poder, se relacionam, inclusive (ou sobretudo?) com o poder público. É preciso resgatar o poder público, portanto, disputar e ocupar o poder público.

Disputar não os cargos do poder público, mas seus movimentos. Ocupar não os partidos, mas as ações dos partidos. Porque a cidade, aliás, os que controlam o poder na cidade, já não vêem gente, senão na forma de mercados, lucros, exploração e privilégios, por um lado, e “obstáculos” a serem varridos de outro.

A violência vai ficando, o medo lógico de pôr os pés na rua, o moleque que hoje joga futebol descalço, com seu caderno sem lição, que muitas vezes cai na exploração, na detenção, que ou morre ou mata. A cidade vai se reconfigurando calcada na passividade de todo mundo que tem medo e ódio: seja com arma na mão, ou não.

(Nem falamos da parte da cidade que não é centro).

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