As Cruzes e os Credos não pára na encruzilhada: uma palavrinha

Enquanto esperamos que o Governo da Bahia repasse os recursos atrasados conquistados através de edital público para um outro projeto, vamos fazendo um filme através de apoio coletivo

cartaz último 2Desde 26 de outubro mobilizamos uma campanha para financiar parcialmente o nosso curta As Cruzes e os Credos. Ontem, dia 20, encerramos formalmente o período de captação de recursos: alcançamos a meta.

Trata-se de um valor bem pequeno quando o relacionamos à produção cinematográfica – R$ 1.200,00. É que nosso objetivo não é questionar os meios ou modelos de produção (ainda que o façamos), mas pontualmente viabilizar a nossa viagem de Salvador para Ilhéus, onde o curta será filmado, experimentando uma certa subversão do uso das redes, em especial do Facebook, ambiente que concentrou nossos esforços. Todo o trabalho da equipe e o acesso aos equipamentos não entraram na conta, obviamente, mas estão garantidos.

O curta, que será dirigido por mim (Fabricio) e por Camele Queiroz, trata de nossas relações com o Sagrado, o místico, a História e a Política, partindo de dois eventos que marcaram a cidade de Ilhéus/Bahia, em 2003: as mortes, em dias imediatamente consecutivos, de dois ícones religiosos da cidade, um da Igreja Católica, outro do Candomblé, um de “morte morrida”, outro de “morte matada”. Um Bispo, um Pai-de-santo. O Bispo era Dom Valfredo Tepe, o Babalorixá era Pedro Farias, o Pai Pedro.

Além dos patrocínios individuais, tivemos o apoio do CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo que realiza cinema e o debate sobre cinema independente através de uma dinâmica colaborativa e tem alcançado bons resultados. E do Cineclube Socioambiental Crisantempo – Bahia, que incluirá o filme em sua programação no ano que vem, junto com outras realizações do Bahiadoc. “As Cruzes e os Credos” será mais uma realização do Bahiadoc – Arte Documento.

Em tempo, salientamos a importância das políticas públicas de fomento à Cultura, dos editais públicos de Cinema e da necessidade de se consolidar o Cinema – o bom cinema feito no Brasil – também como indústria e mercado, para que nosso cinema possa ocupar espaços tomados hoje por oligarquias corporativas.

Inclusive, aguardamos a liberação de recursos conquistados através de edital estadual que não foram repassados: trabalhamos no projeto contemplado – também um curta documental – há mais de dois anos, mas o Governo do Estado da Bahia contingenciou os recursos da Cultura e os desviou ninguém sabe para onde ou para quê. Uma encruzilhada das brabas. Aguardemos. Enquanto isso, vamos fazer um filme.

Um agradecimento especial a todos que colaboraram com o projeto “As Cruzes e os Credos”, acreditando na proposta e nos realizadores. Agora é mãos à obra!

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