Marina Abramovic e a arte da Presença

O filme  Marina Abramovic: the artist is present, de Mathew Akers e Jeff Dupre, acompanha por um ano a vida da paradigmática perfomer nascida na Sérvia em 1946, e que nos anos setenta já encarava o corpo como substância fundamental de sua obra.

O filme retrata o processo de preparação da artista para a exposição/performance “The artist is present” que, entre maio e junho de 2010, aconteceu no MOMA, em Nova York. O evento montou uma retrospectiva com obras de Marina (inclusive com jovens artistas reproduzindo algumas de suas performances) e uma nova performance sua: ela se senta em uma cadeira tendo diante de si uma outra cadeira, vazia, reservada aos visitantes que se sentam – sob algumas regras: sem conversas, sem palavras – para trocar um profundo olhar com a artista. O filme acompanha todo o período da performance. Todos os visitantes que vemos sofrem algum impacto com a experiência, emocionam-se.

Marina Abramovic, em dado momento do filme, diz que o que importa em uma obra de arte é o estado mental do artista no momento em que a produz. A artista emociona os visitantes que se sentam diante dela porque o seu estado mental ali é de pura presença. Toda sua trajetória, aliás, revela uma entrega total à arte do corpo, seja sujeitando-o – o seu corpo – à vontade do público autorizado livremente para fazer o que quiser com ele, ou percorrendo a muralha da China. “O que seria arte senão algo que revele a natureza humana?” – Marina Abramovic, em sua performance da presença, é um estado de espírito e de corpo, uma arte em si que oferece seu estado de consciência às pessoas que dela se aproximam, revelando, pelo menos por um instante, algo da natureza humana: há ofertas que não podemos declinar, simplesmente porque são componentes de nossa natureza humana. É leviano falar de natureza humana, antropológicamente é até temerário, mas um olhar profundo, uma comunicação inteira, uma presença total entre duas pessoas que se olham sugere algo de universal, introduz um sentimento que somente o conceito de natureza consegue expressar.

O documentário, em sua forma, sustenta uma linguagem clássica, quase institucional. Entretanto, a sinceridade e a intimidade com que Marina Abramovic nos conduz apresentando sua trajetória artística, seu passado familiar, suas memórias pessoais, tornam o filme envolvente. Arte-Corpo-Mente: Marina.

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Uma resposta em “Marina Abramovic e a arte da Presença

  1. Muito interessante a análise. A artista, de talento incontestável e de entrega inefável ao fazer artístico, e o filme, que dá conta dessa trajetória, são experiências da mais sublime expressão da arte.

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