Vladimir Herzog realizou o primeiro filme com som direto no Brasil

Marimbás, de Vladimir Herzog, foi o primeiro filme a utilizar som direto no Brasil.

Vladimir Herzog (1937-1975), assassinado nas dependências de um destacamento do Exército, realizou Marimbás em 1963, utilizando som direto. O filme é um curta sobre pobres que vivem da pesca, rodado no Posto 6, em Copacabana.

Aconteceu que, em 1962, o Itamaraty convidou Arne Sucksdorff para participar de um seminário de cinema com o patrocínio da UNESCO. Sucksdorff veio equipado com as maiores novidades tecnológicas da época, entre as quais o gravador Nagra. Vladimir Herzog, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade e Eduardo Escorel foram alunos do curso. O primeiro filme a utilizar som direto no Brasil, claro, saiu desse curso ministrado por Sucksdorff, e coube a Vladimir o privilégio de usar, pela primeira vez, o mítico gravador Nagra.

Canal Bahiadoc completa a série de seis webdocs que trazem conversas com cineastas baianos

Canal Cartaz Final

Do Blog do Bahiadoc:

Ao longo de um ano e meio, realizamos o Canal Bahiadoc, série de seis webdocs com a participação de cineastas baianos que realizaram filmes e vídeos ligados ao campo de não-ficção na Bahia.

O nosso objetivo foi, de forma introdutória, contribuir em algum grau para o debate e a difusão em torno das obras desses cineastas independentes e de contextos do cenário audiovisual e cinematográfico da Bahia.

O Canal teve o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público (Demanda Espontânea 2011), e é uma realização de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, através do Bahiadoc – arte documento, iniciativa independente que quer discutir a prática do documento e contribuir para a formação de espaços reais e virtuais que dinamizem a interação entre novos agentes criativos na Bahia.

Os realizadores do Canal agradecem a todos os cineastas que participaram, e a todos que acompanharam, assistiram e difundiram os webdocs pelas rede.

Sabemos que há muitos outros cineastas, videomakers e artistas do audiovisual realizando trabalhos de relevância para a nossa memória cultural e artística. Quem sabe, novas edições virão para conversar com ainda mais gente – será esse o nosso esforço.

Todos os webdocs e as informações sobre o Canal Bahiadoc estão acessíveis no sítio do projeto. Acessem, difundam, critiquem, em:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

SOBRE OS WEBDOCS:

1 e 2. Os dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador. Participaram do primeiro: Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosario, Sophia Mídian Bagues e Felipe Kowalczuk. Do segundo, participaram: Wallace Nogueira, Mônica Simões e Isana Pontes.

3. O terceiro webdoc traz um encontro com o Cual Coletivo UrgentedeAudiovisual, que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

4. O quarto webdoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, profícuo documentarisa que aborda temas sociais e históricos, além de atuar como videoativista.

5. O quinto webdoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas.

6. E o sexto webdoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Lembrando, todos os webdocs podem ser acessados no sítio do projeto:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Conversa com Henrique Dantas no sexto webdoc do Canal Bahiadoc

O sexto webdoc do Canal Bahiadoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica. A conversa que gravamos reflete a personalidade inquieta do cineasta, que fala sobre cinema – o seu cinema, o cinema na Bahia, o cinema como arte e como política.

Henrique Dantas atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme.

Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política, por parte da Ditadura Militar no Brasil, contra Olney São Paulo, a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique finalizou Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

O vídeo é o sexto e último webdoc do projeto Canal Bahiadoc, que traz conversas com realizadores baianos. Os webdocs anteriores e mais informações sobre o projeto podem ser acessados no site: http://bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O escopo maior do projeto é contribuir de alguma forma para ampliar debates em torno do cenário do cinema feito na Bahia, abordando diversos aspectos, desde políticas públicas de fomento à produção à história e desenvolvimento do cinema feito por aqui.

O Canal Bahiadoc é realizado por fabricio ramos e camele queiroz, com o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público.

Henrique Dantas participa do sexto webdoc do Canal Bahiadoc

Nos próximos dias, publicaremos o sexto webdoc do Canal Bahiadoc, desta vez com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica. – Do blog do Bahiadoc Arte Documento.

Captura de tela 2013-12-10 às 17.57.21

Henrique Dantas é inquieto e perspicaz – percebemos isso nos primeiros instantes da conversa que aconteceu em sua casa. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe.

Filhos de João levou 11 anos para ficar pronto, tempo que revela o quanto fazer cinema na Bahia (ou em qualquer região fora do eixo) exige compromisso e persistência, como enfatiza o próprio Henrique. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme. O Admirável Mundo Novo Baiano perpassa toda a cultura urbana do underground baiano ao longo dos últimos quarenta anos.

Depois, Henrique passou a se dedicar ao resgate da importância do cineasta Olney São Paulo – a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro” – no cenário do cinema e da política no Brasil, propondo reflexões críticas com sensibilidade estética e apropriações de diferentes linguagens artísticas em suas realizações.

Captura de Tela 2013-12-10 às 20.49.42Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política contra Olney, por parte da Ditadura Militar. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique realiza Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Sinais de Cinza percorre agora festivais, tendo participado do Festival do Rio e do Festival de Havana.

Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

Henrique fala com firmeza e ao mesmo tempo com serenidade. “Para falar de meu trabalho eu preciso falar de mim”, diz, revelando o pertencimento pleno que o conduz na escolha de seus temas e na realização de suas obras. A conversa que gravamos será publicada em breve, no sexto webdoc do Canal. Acompanhe as nossas redes no Facebook e Twitter.

vídeo premonitório? Fortes emoções

Em outubro de 2011, munidos de uma Hi8, filmamos uma manifestação de professores e estudantes em frente à nova Arena Fonte Nova em construção. Previmos, bem antes da jornada de junho: “você vai viver fortes emoções”.

Em dado momento, um estudante escreve no relógio da FIFA: “10% do PIB para Educação”. Um policial obriga o estudante a lavar o monumento, ameaçando prendê-lo: “é ordem do governador não deixar pichar o relógio”, diz o PM. Creio que a previsão se concretizará mais fortemente em 2014.