Curta “Para Que Não Nos Sintamos Tão Sós” participa de evento sobre o aniversário de Salvador

Ações de intervenção coletiva são destaque em evento sobre o aniversário de Salvador

Cartaz5min PANNSTSNa próxima sexta, dia 28 de março, véspera do aniversário da capital baiana, será realizado o evento Salvador 465: Projetos coletivos e alternativas de convivência com a cidade, que contará com a presença de representantes de projetos e ações que estão contribuindo para construir uma cidade mais educativa, solidária e sustentável.

O evento está sendo organizado pelo Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador
e iniciará a sua programação com a apresentação do curta Para que não nos sintamos tão sós, de Camele Queiroz e Fabrício Ramos. O filme traz, sob o olhar de um indivíduo, o impacto das mudanças que vem ocorrendo na cidade, revelando as forças políticas, históricas, poéticas e místicas que formam o imaginário da capital baiana.

Logo após a exibição do filme, serão relatadas as experiências dos projetos Bairro-Escola Rio Vermelho, Canteiros Coletivos, Brechó Eco Solidário e Rede Desabafo Social. Todos realizados por instituições e grupos que atuam em diversas frentes, mas que possuem em comum a inquietação com os problemas vivenciados na cidade. Tais projetos vêm atraindo cada vez mais a atenção dos soteropolitanos que buscam alternativas de convivência e mudanças neste cenário.

Ainda como parte da programação haverá a apresentação de um fragmento do espetáculo Rebento, da Cia de Teatro Metamorfose. A peça, que trata de temáticas ligadas à valorização da cultura afro-brasileira, será encenada na íntegra no dia 29 de março, às 16h, no Espaço Cultural Alagados.

A Beleza do Subúrbio

O público presente no evento Salvador 465 também poderá se encantar com a exposição A Beleza do Subúrbio, que conta com fotos tiradas por crianças e jovens (8 a 17 anos) de São João do Cabrito e Itacaranha. A exposição é resultado de uma oficina realizada em 2013, pela educadora Marcella Hausen, onde os participantes aprenderam noções básicas de fotografia e foram provocados a observar a região do Subúrbio com um olhar pautado pela estética, crítica e pertencimento a este lugar.

A exposição poderá ser visitada até o dia 03 de abril, das 8h às 18h. A entrada é franca.

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nota: A Grande Beleza e a ruína dos tempos

a melancolia de uma Roma (do nosso ocidente dessacralizado?) cujo passado invade o presente e os tempos se encontram, em ruínas.

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Em “A Grande Beleza”, filme de Paolo Sorrentino, o escritor Jep Gambardella (Toni Servillo) não escreveu nenhum outro livro desde o grande sucesso do romance “O Aparelho Humano”, que ele escrevera há décadas. Refletindo sobre a sua vida, Jep agora frequenta as festas da alta sociedade, aproveita os luxos e privilégios de sua fama e perambula por uma Roma cuja modernidade teve que se adequar às marcas da antiguidade presentes na cidade. O filme foi exibido em Cannes, venceu o Globo de Ouro, foi o Melhor filme estrangeiro no Oscar, e dividiu a opinião de críticos.

Quem não começar por entender a ironia do título e só conseguir ver o filme sob a sombra de Fellini – tal como fez Wisnik recentemente em sua coluna na Folha – provocará um sorriso malicioso em Sorrentino, imagino. O “Kitsch”, naturalmente, é o elemento formal mais evidente do filme, mas – assumindo o risco da reprovação moral – não compromete nenhum momento poético, precisamente porque o Kitsch está ali conscientemente, sacaneando formalistas em transe.

Os momentos poéticos, aliás, não degeneraram em “momentos espetaculosos” (na sequência dos flamingos, por exemplo), como entendeu Wisnik, porque os momentos poéticos do filme não estão nessas cenas espetaculosas. Mas, ao contrário, estão nos momentos mais triviais, no quase nada, cuja força dramática reside no coração da ironia, esquecida por Wisnik em nome de Fellini. Nunca será um filme à altura de “A doce Vida” ou de “Oito e meio”, nem quis sê-lo. Tampouco é menos Kitsch inserir no comentário sobre o filme a frase “faz parte da longa história contemporânea das “ilusões perdidas””, intrometendo Balzac logo através do jovem poeta da província que vai simbora para Paris entrar na dança, aí sim, da derrisão da literatura, da poesia e do amor, derrisão que é marca do filme, também, e nem por isso constrange a beleza nem suprime o senso crítico, ao contrário, afirma a beleza e a crítica da beleza – só que melancolicamente.

O filme aborda mesmo o nosso processo de dessacralização do mundo do consumo, do Kitsch como totalidade da cultura. Acho que Wisnik podia falar mais de um filme que é, afinal, só um filme, mas que produz “dissonâncias de sensibilidade”, e que, aliás, tem essa beleza: mostra, toda vez que aparece o Coliseu, a melancolia de uma Roma (do nosso ocidente?) cujo passado invade o presente e os tempos se encontram, ambos os tempos em ruínas. A Wisnik faltou enxergar a cultura em meio a tanta civilização – nota Oito e Meio para o comentário dele.