notas nos muros – 1

classe média da favela

Captura de Tela 2014-05-14 às 12.48.14

Calabar. Salvador/Ba.

Essa ideologia de categorizar extratos da classe trabalhadora como “nova classe média” não é uma forma de fragilizar as identidades de classe, explorando a velha ojeriza das classes médias contra as classes pobres? – Filmando, conversei com moradores de favelas de Salvador que se consideram “classe média”, vivendo destinos marcados pela precariedade dos direitos civis, a meio caminho entre a penúria e um mercado de massas emergente (em vastas áreas de favela, há regiões de extrema pobreza, mas também outras que não têm saneamento, nem saúde nem segurança, mas têm TV de plasma e assinatura de TV paga, e variações dessas situações). Ficam marcadas a fragilização da identidade de classe, sim, (embora prevaleça a ética do trabalho), o vínculo íntimo e polimorfo com a religião e a sobrevivência massificada na grande metrópole, que exige esforços de autolegitimação e de esperança: ser “classe média”, que, nesses lugares, parece mais um estado de ânimo do que uma classe social.

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