Carnaval: tatuagem e cicatriz

Captura de Tela 2015-02-12 às 23.19.58Estou na Barra, a 15 metros de onde passam os trios, e mesmo assim não sei como está a festa. Vejo a alegria dos passantes trajando abadás e fantasias, coisa e tal, e a gente percebe que algo está mudando, a configuração do carnaval, me parece, vai reconfigurando as formas de alegria. O que advirá dessa mudança? Não sei.  Mas eu acabei mesmo foi de ver Tatuagem, o filme (trailer).

Não quero incorrer em comparações esdrúxulas, mas basta pensar no filme baiano do momento tendo em mente o filme pernambucano para perceber: culturalmente, a vida mais viva vai se transferindo da Bahia para Pernambuco, e tanto o cinema quanto o carnaval são apenas pequenas mostras disso.

Se o filme feito na Bahia, ambientado no período de nossa abertura política, termina com um clima desistido, o filme feito em pernambuco termina com um desafio cheio de vida. O primeiro desiste às portas da “democracia”, o último se renova no enfrentamento da ditadura através da atitude libertária. Um transforma anarquismo em nihilismo, o outro transforma cicatriz em tatuagem.

Aliás, esse carnaval vai passar, mas o carnavalismo cinemateatral do filme de Hilton Lacerda, esse fica – como tatuagem.

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2 respostas em “Carnaval: tatuagem e cicatriz

  1. Ei Fabrício! Que bonito esse olhar sobre o tatuagem, na verdade, que imagem linda essa da “cicatriz à tatuagem”. Vale a vista do Depois da Chuva, mas não seria um grande tensionamento a passagem de uma vida cultural da bahia à pernambuco. eles têm uma cena forte lá, tem produzido coisas lindas, vivem um tempo deles, mas olha, a vida tá em todo lugar, cara, resistindo bravamente. Dizer que a vida passa de um para outro é pensar em vida que só existe num lugar só, que pede passagem ao pedágio da estrada, ao imposto embutido na passagem da cia aérea.

    • Siimm, perfeito Haroldo, de acordo. Na verdade, quando eu disse que “culturalmente, a vida mais viva vai se transferindo da Bahia para Pernambuco”, esse “culturalmente” quis restringir essa vida à esfera da cultura organizada, das manifestações consolidadas, e não à vida em si mesma. Por isso os exemplos que usei foram o carnaval e o cinema. Por exemplo, o carnaval em Salvador está decadente em seu sentido comercial, mas por outro lado, começam a ressurgir iniciativas independentes que animam um carnaval popular mais vivo. Mas sim, você está coberto de razão, a vida existe em todo canto, e eu, afinal, estou vivo em Salvador. Abração.

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