Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Mostra Brasil. De 19 a 30 de agosto de 2015. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.34.55Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

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“Muros” terá exibições em São Paulo e Buenos Aires

Entre agosto e setembro de 2015, “Muros”, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, terá sete exibições em São Paulo e também será exibido em Buenos Aires. O curta, que une Fotografia e Cinema, ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V Feciba 2015.

MUROS cartaz novo LEVEEntre agosto e setembro, o curta-metragem “Muros” (2015), de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, será exibido em sete sessões em São Paulo, em diferentes cinemas e espaços culturais da cidade, como MIS – Museu de Imagem e Som, CineSesc, Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural São Paulo, Matilha Cultural, entre outros. As exibições acontecem na programação de dois eventos, a 10a. Edição da Mostra Mundo Árabe de Cinema, que acontece de 12 de agosto a 12 de setembro, e o 26o. Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Kinoforum, que acontece de 19 a 30 de agosto de 2015. “Muros” é a única produção baiana em ambos os eventos este ano.

Sessões do Muros pelo Kinoforum:

Captura de Tela 2015-08-12 às 19.02.07O filme, gravado no Nordeste de Amaralina e no Calabar, bairros de Salvador, traz a participação de Rogério Ferrari, fotógrafo baiano que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e nos campos de refugiados do Líbano e Jordânia, além de povos em luta em diversas partes do mundo. Ferrari põe em questão a precariedade social, urbana e arquitetônica de favelas brasileiras que, segundo ele, lembram, nesses aspectos, os campos de refugiados palestinos em que ele esteve. O curta revela a resistência e a afirmação da vida em bairros estigmatizados de Salvador, promovendo um encontro entre Cinema e Fotografia.

Muros, finalizado em abril de 2015, participou também da Mostra Oficial do I Festival Filmes da Estação, em Minas Gerais, e participará da 25a. Edição do DocAnt2015, Festival do Documentário Antropológico, que acontecerá em Buenos Aires de 3 a 5 de setembro. O curta, que ganhou o prêmio de melhor filme pelo Júri Técnico na Quinta Edição do Feciba – Festival de Cinema Baiano 2015, é uma realização independente realizada pelo selo Bahiadoc – arte documento e contou com apoio financeiro da Secretaria de Cultura da Bahia através de edital público de Audiovisual, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia em 2013.

Brasil e China fakes, Ai Weiwei e cultura marginal nas Bienal (sem concordância)

Captura de Tela 2015-08-06 às 10.24.49Eu ia dizer outra coisa, que envolvia um comentário pensando, paralelamente, a trajetória de Ai Weiwei, artista chinês de forte impacto político e presença nas mais importantes bienais do mundo, com as intervenções dos pichadores brasileiros que, claro, picharam uma igreja na qual dariam um workshop, participando da Bienal de Berlim em 2012 (os mesmos que picharam o espaço vazio da Bienal de São Paulo em 2010). O elo de ligação, a razão de comentar lado a lado (mas apenas pontualmente) esses artistas era: Bienais, política e arte (transgressão e crítica ao sistema).

Mas desisti de comentar sobre isso. A trajetória de Weiwei faz com que a intervenção dos pichadores brasileiros na Bienal de Berlim se esvazie de qualquer importância política e artística, não obstante o discurso dos pichadores.(Há vários filmes sobre ou com Weiwei, um dos que assisti é Ai Weiwei: The Fake Case (2013), documentário de Andreas Johnsen [trailer no Youtube].

A China que Weiwei enfrenta (ora sendo preso e vigiado, ora fazendo acordos para poder existir e resistir) não é tão diferente do Brasil, considerando não a cultura e a arte, obviamente, mas a posição atual dos dois países no capitalismo globalizado. Embora a China seja potência militar e nuclear, e o Brasil ainda não tenha degenerado a esse ponto, embora se esforce muito para isso, ambos os países funcionam meio que como reservas naturais e como escravos disponíveis para a exploração do mundo desenvolvido (é dizer, o domínio do Ocidente em decadência). O trabalho (mão de obra) barato da China e o regime estatal autoritário da economia e da política torna o país competitivo em vários setores produtivos. No Brasil é a exportação de Commodities, tradição histórica mesmo em meio à variação dos ciclos produtivos, que determina o poder econômico e político e seus efeitos e defeitos, seus vícios, por assim dizer, também de tradição histórica, sem desconsiderar os importantes avanços políticos, sociais e econômicos do país. Ai Weiwei, mesmo transitando pelo sistema cultural que lhe permitiu construir um ateliê particular de 1 milhão de euros (que o governo chinês derrubou) e participando de “obras” monumentais como a construção do estádio “Ninho de Pássaro” em Pequim, consegue, através de seu trabalho, sustentar uma crítica mais consistente e profunda dos problemas de seu país do que os pichadores brasileiros que, também convidados para importantes bienais (no caso, a de Berlim), reproduzem a cultura periférica globalizada como se fosse contestação e rebeldia, mas – quando inserida no circuito oficial das bienais – aparece mais como produto comercial calcado no grande negócio da contracultura, que utiliza o inconformismo como vetor, sem com isso subverter concretamente os motivos alegados do inconformismo: injustiça social e o cerco à individualidade libertária. Sem prolongamentos, resumo: trata-se de agitação cultural contra as normas estabelecidas, mas sem ameaçar tais normas, mas antes, condicionando-se a elas – como parte do  show bienal.

Particularmente, eu tendo a endossar sempre as posições libertárias e contestatórias. Mas sugiro pensarmos sobre os extratos das classes produtoras de análises e pensamentos políticos e de ideias artísticas dominantes que operam na China e no Brasil (extratos que são, com efeito, globalizados, mas mantenho o meu superficial cotejo entre os dois países). Tais extratos não têm nada de libertários, sabemos, e, se precisam tolerar estrategicamente um Ai Weiwei, ou mesmo convidar uns pichadores de estética periférica (vejam bem, pichadores, não grafiteiros) para bienais, é porque o sistema não promove a conformidade, mas se sustenta do estímulo ao inconformismo, desde que não ameace suas bases e tendências, mas antes as fortaleça e consolide. Afinal, a propagação da cultura periférica globalizada (funk, hip-hop, grafite, pichação) resulta em expansão de demandas de mercado, convertendo a cultura marginal em moda e integrando-a plenamente no modelo de consumo capitalista, inclusive, industrial e mainstream.

Eu não gosto de muros nem de muralhas, nem em Berlim nem aqui nem na China. Acho boa a participação dos pichadores brasileiros em qualquer bienal. Mas no que se refere à contestação e subversão dos relatos dominantes, são mais eficazes os pichadores que povoam os muros anônimos urbanos e confrontam as muralhas simbólicas, do que aqueles que, para serem alternativos, precisam se incorporar – de bom grado, ainda que agressivamente.

Abaixo, na Bienal de Berlim, Djan Ivson, ou Cripta Djan, picha o curador da Bienal em meio à pequena confusão. Veja matéria na Folha.

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