Registros da luta dos Guarani kaiowá por Rogério Ferrari

Em setembro de 2015, o fotógrafo Rogério Ferrari esteve no Território Guarani Kaiowá, e além de Fotografias, fez registros em vídeo com depoimentos. Visite:

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Rogério Ferrari é fotógrafo, atua com autonomia e retrata a luta por autodeterminação de diversos povos pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros.

Neste mês de setembro de 2015, Rogério está no Território Guarani kaiowá. Como ele mesmo coloca no seu texto:

para fotografar e me juntar, e assim trazer mais relatos sobre esse novo momento de retomadas. Fui com o propósito de fotografar e colher alguns depoimentos, que agora disponibilizo por essa via. Fotografar é também uma maneira de estar e participar, de meter-se no meio do que considero pertinente.

Rogério Ferrari é baiano de Ipiaú, radicado em Salvador ou em permanente nomadismo. Participou do filme Muros, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, curta que relaciona Brasil e Palestina através do olhar de Rogério. MUROS participa de vários festivais e mostras de Cinema no Brasil e no exterior.

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“Muros” no FIDOCS, destacado Festival de documentários do Chile

Captura de Tela 2015-09-21 às 20.04.48O curta “MUROS“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, participa da seleção oficial da Mostra Internacional do Festival Internacional de Documentales de Santiago, FIDOCS, em sua 19a. edição, um dos festivais mais destacados da América Latina. O FIDOCS, que foi fundado em 1997 pelo realizador Patrício Guzmán, acontece de 22 a 27 de setembro de 2015 em Santiago.

Na programação do Festival, MUROS passa na quarta, 23 de setembro, e na sexta, 25, ambas as sessões no teatro GAM, Centro Cultural Gabriela Mistral. A programação completa do FIDOCS pode ser acessada no site do festival.

O MUROS participa da COMPETENCIA INTERNACIONAL DE CORTOMETRAJES “MONSIEUR GUILLAUME”: mostra internacional oficial do festival que foi inaugurada em 2013 e que seleciona filmes que valorizem o uso reflexivo e vanguardista da linguagem cinematográfica, segundo a definição do próprio Festival. A Mostra foi apoiada pelo consagrado cineasta Chris Marker, pouco antes de morrer, e em sua homenagem e com sua autorização, leva o nome de seu famoso gato Guillaume-en-Egipto”.

Além das Mostras nacional, latinoamericana e internacional, o FIDOCS apresentará os novos trabalhos de Patricio Guzmán, Joshua Oppenheimer y Win Wenders, entre outros filmes esperados.Acompanhe os eventos e as notícias pelo site do festival.

Depois do FIDOCS, o MUROS passa no 15º Goiânia Mostra Curtas (6 a 11 de outubro); na 11a. Mostra Cinema Conquista, em Vitória da Conquista-BA (4 a 9 de outubro); no CineFest Gato Preto em Lorena-SP (29 de outubro a 1 de novembro); e no MiradasDoc, na Espanha (1 a 7 de novembro).

Acompanhe os caminhos do MUROS no blog do curta.

Em São Paulo, Expo “Nosoutros” reúne fotografias de Rogério Ferrari relacionando Salvador e Palestina

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.03.27Permanece até dia 11 de setembro de 2015, na Matilha Cultural em São Paulo, a Expo Fotográfica “Nosoutros”. Realizada pela Mostra Mundo Árabe de Cinema, a expo relaciona os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

Segue matéria de Arthur Gandini para o site do Instituto da Cultura Árabe:

A Matilha Cultural, no centro de São Paulo, foi palco, na quinta-feira (27), da abertura da exposição de fotos “Nosoutros”, de Rogério Ferrari, que fica em cartaz no espaço até 11 de setembro. A abertura teve também a exibição do filme “Muros”, com as presenças dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, além da produtora de “Marte ao Amanhecer”, Nirah Shirazipour.

Resultado do mais recente trabalho do baiano Rogério Ferrari, que não pôde estar presente na abertura,  “Nosoutros” documenta, com fotos em lambe-lambe e projeções audiovisuais, o olhar-ponte do fotógrafo sobre os campos de refugiados palestinos em 2002 e 2008, relacionando-os com bairros periféricos de Salvador, Bahia, em 2014. A exposição conta também com o trabalho audiovisual “Eloquência do sangue”, realizado a partir de fotos feitas na Palestina ocupada em 2002 e do som ambiente registrado neste período. As palavras do autor repercutem a força das imagens ao propor “que a arte assuma o lugar que lhe corresponde: o de aquecer a rebeldia”.

Como em toda a programação da Mostra nesta 10ª edição, a exposição de fotos dialoga com o filme “Muros”, misturando imagens de vídeo com os cliques de Rogério Ferrari, que também integram a película. “São realidades difíceis por diversas razões e quem nos falou primeiro dessa relação foi o Rogério, porque ele esteve lá nesses campos palestinos. E nós, que somos de Salvador, conhecemos o trabalho dele”, contou Fabricio Ramos, um dos diretores de “Muros”. “Quando ele fez essa inferência, nós propusemos logo um trabalho. Já que estamos na área do cinema e ele, na da fotografia, vamos fazer essa junção.”

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.15.22Camele Queiroz, também diretora do filme, falou sobre como o público brasileiro tem se identificado com a obra. “Você percebe nitidamente que há uma relação clara entre aquelas realidades, mesmo que, no caso da imagem, atenha-se mais a aspectos geográficos, da arquitetura, do urbanismo. Como há algumas fotografias que não apresentam pessoas, necessariamente, e sim mais aspectos urbanos, algumas pessoas falam “poxa, aí eu já não sabia onde era”, disse.

Segundo Ramos, o objetivo do filme foi mesmo impactar o público, o que ele tem visto acontecer. “Estão fechando as fronteiras com muros para que os imigrantes não possam chegar à Europa mais desenvolvida.”

O diretor também falou sobre como vê a realidade social no Brasil. “Os muros são históricos e ainda muito sólidos, embora, ao longo de gerações, muita gente tenha trabalhado para derrubar esses muros, mas eles existem: os guetos, as ocupações militares nas favelas, o problema urbanístico, social, humano. A solução, por parte do poder, é a solução policial. O Brasil passou por uma melhora de consumo, mas de piora da violência social”, refletiu.

Muitas imagens de Rogério Ferrari que não estão em “Muros” podem ser vistas na exposição na Matilha. Segundo Camele, a exposição mostra um outro olhar do filme, assim como o filme dá outra perspectiva das fotos. “Chamaram isso de uma quarta dimensão”, brincou.

“Muros” e “Mater Dolorosa”: tutus do Brasil

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frame de “Muros”, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz que ficou entre os 10+ favoritos do público em São Paulo

No 26º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo – Kinoforum, à exibição do “Muros” (BA) se seguia a do “Mater Dolorosa” (RJ), de Daniel Caetano e Tamur Aimara. Em uma das sessões em especial, por estar menos ansioso, eu fiquei fortemente impactado: o final de “Muros” de alguma forma antecipa os primeiros ruídos de “Mater Dolorosa”, ou pelo menos assim o senti naquela sessão: os filmes se ligavam pelo tutu.

Tutu. O historiador Dilton Araújo, em seu surpreendente livro “O Tutu da Bahia: transição conservadora e formação da nação (1838-1850)” [PDF], explica que o tutu, no vocabulário político da época, era o “bicho papão”, “algo que incutia medo”, aterrorizava e inquietava a sociedade; tudo aquilo que ameaçasse o projeto político das elites da província baiana era um “Tutu”. O autor pondera que, para o Governo Imperial, considerando as realidades da Bahia e do Rio de Janeiro, existia um elevado perigo de aparecimento de novas inquietações de africanos naquela fase abordada pelo livro. As pesquisas de Dilton também se concentraram nos arquivos das duas cidades: Rio e Salvador.

De onde viriam as possíveis rebeliões? Por que poderiam eclodir? qualquer tambor que soasse nas periferias e enclaves de pobreza da capital baiana (e no Rio), ressoava como uma enorme ameaça: podia ser sinais de grupos se articulando para a revolta; e a imprensa tratava de arregimentar esse medo para cobrar a repressão prévia por via da violência de estado.

Nada disso consta explicitamente nos filmes em questão. E a ligação que faço entre os dois curtas é pessoal e baseada mais em uma sensação do que em qualquer observação formal. Mas ambos os filmes, naquela sessão, em um aspecto, sob certo olhar, me atingiram como se estivessem ligados um ao outro pelo tutu do Brasil.

“Muros” no DocAnt2015 que acontece em Buenos Aires

Nesta sexta, 4 de setembro, “Muros” será exibido em Buenos Aires pela 25º Muestra del Documental Antropológico y Social – DocAnt2015, a Mostra mais antiga de documentários na Argentina, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de setembro no Museu Etnográfico “J. B. Ambrosetti”, com entrada livre e gratuita.

Com 25 anos de projeções contínuas e um catálogo de mais de 3.000 títulos, a DocAnt tornou-se um fórum de divulgação e consulta para o trabalho de cineastas, nacionais e internacionais, exibindo e debatendo filmes que não fazem parte do circuito habitual de projeções. Este ano, participam filmes vindos de: Espanha, Portugal, EUA, México, Paraguai, Índia, Bélgica, Itália, Alemanha, Japão, Paquistão, Bolívia, Brasil, Chile, Finlândia e Canadá. Haverá conversações com diretores, apresentações especiais, cursos e oficinas.

Captura de Tela 2015-09-03 às 10.24.29Organizadores: Departamento de Mídia audiovisuals- INAPL- (Instituto Nacional de Antropologia e Pensamento Latinoamericano [ver site]

Local: Museu Etnográfico “J. B. Ambrosetti “(Moreno 350- CABA)

Passagem do filme “Muros” por São Paulo: nove sessões e resposta do Público

Muros, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz que relaciona Brasil e Palestina, ficou entre os 10+ favoritos do público do 26º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum [ver site].

Foram cinco sessões pelo Festival de Curtas: no MIS (duas vezes), no CineSesc e no Espaço Cultural São Paulo. Mais uma sessão na cidade de São Carlos, pela itinerância do Festival. Iniciativas ligadas à Ufscar selecionaram cinco dentre os 51 filmes da Mostra Brasil do Kinoforum para mostra local, “Muros” entre eles [ http://migre.me/roa7n ].

Na 10a. Mostra Mundo Árabe de Cinema​, o filme teve duas sessões no CCBB-SP, uma na Matilha Cultural junto com a expo “Nosoutros”, do fotógrafo Rogério Ferrari, que é um desdobramento do filme [ http://migre.me/rnMXb ]. E terá mais uma sessão no dia 10 de setembro, no Cine Olido [ver site].

Dia 4 de setembro o filme passa em Buenos Aires pelo DocAnt2015. Também participa do FIDOCS 2015, em Santiago do Chile, além do 15º Goiânia Mostra Curtas​, em breve.

Muros ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V FECIBA – Festival de Cinema Baiano de 2015.