Notas sobre longas que vi no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema

Breves notas sobre alguns bons longas que vi no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador.

Captura de Tela 2015-11-06 às 19.20.20Dentre os brasileiros:

“Big Jato”, de Cláudio Assis, que parte de um livro autobiográfico de Xico Sá (que não li e não gostei), poderia explorar melhor os personagens como o filho gay e caricaturar menos as personagens femininas. Transpõe bem alguns clichês meio roliudianos para as vicissitudes dos rincões nordestinos e pode, por isso, ter algum sucesso comercial nos cinemas.

“Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, foi o melhor dentre os que vi. Subvertendo as imposições sociais normativas de gênero, os atores convencem em seus papeis, tem um humor na medida certa e é plasticamente belíssimo. Vemos uma discreta crítica social (os empregados podem ser remanejados como rebanho) e à coisificação dos animais, mas prevalece o estilo poético clássico (a cena com homens nus no banho não remete aos banhos romanos?).

“O Olmo e a gaivota”, de Petra Costa, acompanha a gravidez de um casal de atores. A vida, o corpo e a carreira da atriz são impactados pela gestação e o filme mostra as reflexões sobre os medos e sensações de uma mulher prestes a se tornar mãe pela primeira vez. O filme é bom, mas o ator (o papai), embora viva também as expectativas da paternidade, aparece dramaticamente diminuído (talvez para enfatizar de forma justa a condição feminina da gravidez).

“Rogério Duarte, o Tropikaoslista”, de José Walter Lima, – já falei por aqui – é bonito e simples, sua forma em harmonia com seu personagem cativante, inteligente e vívido. O filme faz um recorte importante e fluido daquele por muitos considerados o mentor do tropicalismo e consegue também oferecer à uma nova geração um olhar acerca de um Brasil cultural e politicamente efervescente dos anos 1950 aos 1970.

Dois longas da Mostra Italiana:

“N-Capace”, de Eleonora Danco, faz uma experiência de linguagem ao conversar com adolescentes e com idosos – extremos etários da vida – sobre temas universais, como a morte e a sexualidade. Interessante o quanto nos identificamos, aqui no Brasil e na Bahia, com as palavras e sentimentos das pessoas comuns italianas.

“Per Amor Vostro”, de Giuseppe Gaudino, mostra Ana, uma mulher, mãe de três filhos e vítima da violência de um marido agiota, superar seus medos e encarar a vida abrindo-se para renovadas possibilidades. Sensível porque mostra uma “heroína” com contradições, embora, esteticamente, as inserções de imagens animadas infantilizem essas suspensões que querem ilustrar o estado psicológico de Ana.

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