[Salvador] O Cinematógrafo no Cine XIV de outubro exibe “A Liberdade é Azul”

Cinematógrafo de OUTUBRO

Nota dos curadores:

Julie Vignon (Juliette Binoche) sobrevive ao acidente de carro que vitimou seu marido e sua filha pequena. Diante da dor da perda, ela decide enfrentar a tragédia experimentando uma liberdade radical em sua vida, recusando o luto e o choro, livrando-se de seus bens e patrimônio, evitando se ligar ao próprio passado e se afastando definitivamente das pessoas com as quais mantinha vínculos afetivos.

Em A Liberdade é Azul (1993), a Música e cor cumprem uma função narrativa mas, sobretudo, compõem a estética do filme, que proporciona uma experiência sensorial impactante, imprescindível de ser vivenciada num ambiente que somente a sala de cinema oferece. O tema da liberdade aparece sob uma abordagem existencial e trágica, mas evoca questões que se ligam a uma ampla variedade de problemas contemporâneos.

O diretor polonês Krzysztof Kieslowski completou a sua trilogia das cores com A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é Vermelha (1995), títulos que fazem clara referência aos ideais iluministas encampados pela Revolução burguesa na França. A acepção demasiado óbvia dos títulos poderia sugerir uma leitura apressada, relacionando o filme à preponderância de razões políticas e históricas. Entretanto, em A Liberdade é Azul, a história e a política só aparecem enquanto substrato de uma experiência individual trágica que, como um corpo que se afoga, busca na própria crise dos ideais, se não uma tábua de salvação, uma maneira possível de ficar submerso. — (Por Fabricio e Camele).

O quê: sessão de A Liberdade é Azul no Cinematógrafo
Quando: dia 7 de outubro, sábado, às 16h.
Onde: no Cine XIV, no Pelourinho (veja mapa mais abaixo)
(A contribuição é de R$ 5,00)

O CINEMATÓGRAFO:

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes, mensalmente, de variadas formas e temas, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. O intuito é instigar conversas sobre os mais diversos problemas contemporâneos, nos campos da política, da estética e da arte em suas relações com a vida. A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos e os filmes programados são divulgados a cada mês em nossas redes (curta a página no Facebook).  A contribuição é de R$ 5,00 por sessão. Apoie a iniciativa se tornando um membro associado através da anuidade (sessenta reais) que garante acesso às doze sessões anuais.  Fale conosco e participe!

Em São Paulo, Expo “Nosoutros” reúne fotografias de Rogério Ferrari relacionando Salvador e Palestina

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.03.27Permanece até dia 11 de setembro de 2015, na Matilha Cultural em São Paulo, a Expo Fotográfica “Nosoutros”. Realizada pela Mostra Mundo Árabe de Cinema, a expo relaciona os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

Segue matéria de Arthur Gandini para o site do Instituto da Cultura Árabe:

A Matilha Cultural, no centro de São Paulo, foi palco, na quinta-feira (27), da abertura da exposição de fotos “Nosoutros”, de Rogério Ferrari, que fica em cartaz no espaço até 11 de setembro. A abertura teve também a exibição do filme “Muros”, com as presenças dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, além da produtora de “Marte ao Amanhecer”, Nirah Shirazipour.

Resultado do mais recente trabalho do baiano Rogério Ferrari, que não pôde estar presente na abertura,  “Nosoutros” documenta, com fotos em lambe-lambe e projeções audiovisuais, o olhar-ponte do fotógrafo sobre os campos de refugiados palestinos em 2002 e 2008, relacionando-os com bairros periféricos de Salvador, Bahia, em 2014. A exposição conta também com o trabalho audiovisual “Eloquência do sangue”, realizado a partir de fotos feitas na Palestina ocupada em 2002 e do som ambiente registrado neste período. As palavras do autor repercutem a força das imagens ao propor “que a arte assuma o lugar que lhe corresponde: o de aquecer a rebeldia”.

Como em toda a programação da Mostra nesta 10ª edição, a exposição de fotos dialoga com o filme “Muros”, misturando imagens de vídeo com os cliques de Rogério Ferrari, que também integram a película. “São realidades difíceis por diversas razões e quem nos falou primeiro dessa relação foi o Rogério, porque ele esteve lá nesses campos palestinos. E nós, que somos de Salvador, conhecemos o trabalho dele”, contou Fabricio Ramos, um dos diretores de “Muros”. “Quando ele fez essa inferência, nós propusemos logo um trabalho. Já que estamos na área do cinema e ele, na da fotografia, vamos fazer essa junção.”

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.15.22Camele Queiroz, também diretora do filme, falou sobre como o público brasileiro tem se identificado com a obra. “Você percebe nitidamente que há uma relação clara entre aquelas realidades, mesmo que, no caso da imagem, atenha-se mais a aspectos geográficos, da arquitetura, do urbanismo. Como há algumas fotografias que não apresentam pessoas, necessariamente, e sim mais aspectos urbanos, algumas pessoas falam “poxa, aí eu já não sabia onde era”, disse.

Segundo Ramos, o objetivo do filme foi mesmo impactar o público, o que ele tem visto acontecer. “Estão fechando as fronteiras com muros para que os imigrantes não possam chegar à Europa mais desenvolvida.”

O diretor também falou sobre como vê a realidade social no Brasil. “Os muros são históricos e ainda muito sólidos, embora, ao longo de gerações, muita gente tenha trabalhado para derrubar esses muros, mas eles existem: os guetos, as ocupações militares nas favelas, o problema urbanístico, social, humano. A solução, por parte do poder, é a solução policial. O Brasil passou por uma melhora de consumo, mas de piora da violência social”, refletiu.

Muitas imagens de Rogério Ferrari que não estão em “Muros” podem ser vistas na exposição na Matilha. Segundo Camele, a exposição mostra um outro olhar do filme, assim como o filme dá outra perspectiva das fotos. “Chamaram isso de uma quarta dimensão”, brincou.

Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Mostra Brasil. De 19 a 30 de agosto de 2015. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.34.55Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

desocupação da famosa Torre David, em Caracas

Eu e Mel acompanhamos, em Caracas, o processo de desocupação da famosa Torre David. A Torre, que inicialmente seria um centro financeiro de arquitetura ostensiva, foi abandonada já em avançado estado de construção em meados dos anos 1990. Nos anos 2000, famílias de Caracas em busca de moradia ocuparam a Torre, que mede cerca de 170m e tem mais de 40 andares, desafiando os riscos das estruturas inacabadas e subvertendo a função arquitetônica do prédio e a lógica urbanística da região, umas das mais centrais de Caracas. A desocupação, implementada pelo Governo da Venezuela e integrando o extenso programa governamental para moradia “Gran Misión Viviendas”, foi conduzida com eficácia e tranquilidade pelo Ministro de Estado para la Transformación Revolucionária de la Gran Caracas, Ernesto Villegas, e acompanhada pelo escritor Tariq Ali. O vídeo é um breve registro de nossa presença na Torre durante a desocupação.

[vimeo https://vimeo.com/101740224 w=570&h=320]

A Torre

Torre David, emblema dos contextos mais dramáticos e complexos das metrópoles latinoamericanas: favela vertical, foco comunitário de resistência, símbolo de luta pelo direito à moradia, tema de trabalho ganhador da Bienal de Veneza e objeto de ensaios fotográficos da New York Magazine.

Torre_David

Torre David (foto: fabricio ramos)

A torre que seria a própria ostentação arquitetônica do triunfo financeiro capitalista se converteu em um emblema da (des)ordem: o que era ainda construção já parecia ruína.

Em meados da década de 1990, a construção da torre, que seria um centro financeiro, foi paralisada por conta de uma crise financeira. Deteriorando-se durante anos no centro de Caracas, a torre foi ocupada nos anos 2000 por famílias em luta pelo direito à moradia. As famílias desafiavam os riscos das estruturas inacabadas ao mesmo tempo em que subvertiam a função arquitetônica do prédio e a lógica urbanística da região, umas das mais centrais de Caracas. Abandono e decadência, ressignificação e ocupação, novas dinâmicas de organização à revelia de qualquer institucionalidade: ali, na Torre ocupada, pouco importava se a economia comandava o estado ou se o estado se debatia para regular a economia – valia o dinamismo cotidiano que, em meio às adversidades estruturais do lugar, reiventavam a geografia e a política.

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Torre David (foto: fabricio ramos)

O prédio inacabado se converteu em lar para milhares de pessoas, ou, na visão conservadora típica das classes dominantes, em zona de medo e degredo e em foco de criminalidade. Factualmente, a Torre David é emblema das contradições extremas de nossos tempos: construção que já é ruína, sofisticado centro financeiro que é favela.

A desocupação

Em 24 de julho de 2014, eu (Fabricio) e Mel estivemos na Torre David para acompanhar o processo de desocupação: fomos recebido por uma mulher encarregada de orientar a imprensa, nos identificamos como “mídia independente”, e fomos credenciados, eu e Mel, como imprensa, autorizados a percorrer todo o prédio, falar livremente com as pessoas, gravar vídeos e tirar fotos sem qualquer reserva, tendo sido passadas algumas orientações de segurança. Uma abertura e facilitação que não vi no Brasil, em situações menos significativas.

Momentos depois, um homem conversava com moradores da torre e com a imprensa. Ao nos aproximarmos, ele nos ofereceu um café que uma moradora estava vendendo. Aceitamos e quando quis pagar pelo café, ele pediu para que eu não me preocupasse. O homem, só pouco depois viríamos a saber, era Ernesto Villegas, Ministro de Estado da Venezuela, para “La Transformación Revolicionaria de la Gran Caracas”. Villegas conduzia pessoalmente todo o processo de desocupação. Ao lado do Ministro, estava o escritor Tariq Ali.

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Meninos moradores da Torre David (foto: fabricio ramos)

Em julho de 2014, O Governo iniciou a operação Zamora, que consiste na transferência consensuada dos moradores da Torre David para outra região, através do programa habitacional Gran Misión Vivienda, implementado pelo Governo Bolivariano da Venezuela. A operação de transferência ocorria com organização e logística que me impressionaram, em clima de plena tranquilidade. Soldados da Guarda Bolivariana (desarmados) auxiliavam os moradores e carregavam toda a mobília.

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Torre David (foto: Fabricio Ramos)

Subimos, junto com o Ministro Villegas e alguns jornalistas, até o último andar habitado da torre, o 28. O Governo lacrou o andar, e à medida que os andares abaixo sejam desocupados, serão também lacrados para evitar novas ocupações.
O breve contato que mantive com as pessoas que moravam ali não me trouxeram novidades, pois seus dramas não são muito diferentes daqueles vividos por tantos no Brasil, na Bahia, em Salvador, perto de mim, portanto… O que me marcou ali foi a forma de conduta do Governo que promoveu a desocupação, com o ministro de estado à frente, apresentando-se às pessoas, convencendo-as pessoalmente a se cadastrar para a mudança. Não faço com isso nenhuma defesa de Governo, mas é inevitável que eu me lembre do Brasil e lamente, inclusive, o que se diz sobre a Venezuela na mídia corporativa brasileira. Sobre as complexas nuanças políticas e outras impressões acerca da Venezuela, é tema para outro texto, quiçá.

Por Fabricio Ramos.

Canal Bahiadoc completa a série de seis webdocs que trazem conversas com cineastas baianos

Canal Cartaz Final

Do Blog do Bahiadoc:

Ao longo de um ano e meio, realizamos o Canal Bahiadoc, série de seis webdocs com a participação de cineastas baianos que realizaram filmes e vídeos ligados ao campo de não-ficção na Bahia.

O nosso objetivo foi, de forma introdutória, contribuir em algum grau para o debate e a difusão em torno das obras desses cineastas independentes e de contextos do cenário audiovisual e cinematográfico da Bahia.

O Canal teve o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público (Demanda Espontânea 2011), e é uma realização de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, através do Bahiadoc – arte documento, iniciativa independente que quer discutir a prática do documento e contribuir para a formação de espaços reais e virtuais que dinamizem a interação entre novos agentes criativos na Bahia.

Os realizadores do Canal agradecem a todos os cineastas que participaram, e a todos que acompanharam, assistiram e difundiram os webdocs pelas rede.

Sabemos que há muitos outros cineastas, videomakers e artistas do audiovisual realizando trabalhos de relevância para a nossa memória cultural e artística. Quem sabe, novas edições virão para conversar com ainda mais gente – será esse o nosso esforço.

Todos os webdocs e as informações sobre o Canal Bahiadoc estão acessíveis no sítio do projeto. Acessem, difundam, critiquem, em:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

SOBRE OS WEBDOCS:

1 e 2. Os dois primeiros webdocs trazem encontros com realizadores baianos que viabilizaram projetos através do Programa DOCTV na Bahia, abordando discussões sobre acesso aos bens culturais, programas públicos de incentivo e sobre os temas – de relevância cultural e social – abordados por cada realizador. Participaram do primeiro: Paula Gomes, Bernard Attal, Elson Rosario, Sophia Mídian Bagues e Felipe Kowalczuk. Do segundo, participaram: Wallace Nogueira, Mônica Simões e Isana Pontes.

3. O terceiro webdoc traz um encontro com o Cual Coletivo UrgentedeAudiovisual, que pensa o cinema realizando filmes independentes a partir de uma dinâmica de cooperação.

4. O quarto webdoc traz uma conversa com Carlos Pronzato, profícuo documentarisa que aborda temas sociais e históricos, além de atuar como videoativista.

5. O quinto webdoc traz uma conversa com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas.

6. E o sexto webdoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica.

Lembrando, todos os webdocs podem ser acessados no sítio do projeto:

http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

Conversa com Henrique Dantas no sexto webdoc do Canal Bahiadoc

O sexto webdoc do Canal Bahiadoc é com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica. A conversa que gravamos reflete a personalidade inquieta do cineasta, que fala sobre cinema – o seu cinema, o cinema na Bahia, o cinema como arte e como política.

Henrique Dantas atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme.

Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política, por parte da Ditadura Militar no Brasil, contra Olney São Paulo, a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique finalizou Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

O vídeo é o sexto e último webdoc do projeto Canal Bahiadoc, que traz conversas com realizadores baianos. Os webdocs anteriores e mais informações sobre o projeto podem ser acessados no site: http://bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

O escopo maior do projeto é contribuir de alguma forma para ampliar debates em torno do cenário do cinema feito na Bahia, abordando diversos aspectos, desde políticas públicas de fomento à produção à história e desenvolvimento do cinema feito por aqui.

O Canal Bahiadoc é realizado por fabricio ramos e camele queiroz, com o apoio do Fundo de Cultura da Bahia através de edital público.

Henrique Dantas participa do sexto webdoc do Canal Bahiadoc

Nos próximos dias, publicaremos o sexto webdoc do Canal Bahiadoc, desta vez com Henrique Dantas, cineasta que tem realizado filmes que resgatam a nossa memória cultural, com potência artística, força crítica e amplitude política e cinematográfica. – Do blog do Bahiadoc Arte Documento.

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Henrique Dantas é inquieto e perspicaz – percebemos isso nos primeiros instantes da conversa que aconteceu em sua casa. Atua como diretor, roteirista e diretor de arte. Entre os seus principais trabalhos estão a direção e o roteiro do longa Filhos de João, O Admirável Mundo Novo Baiano, documentário que recebeu quatro Candangos no Festival de Brasília em 2009, entre os quais o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio do Júri Popular. Foi diretor de arte de vários curtas e dos longas Estranhos (2008) e Trampolim do Forte (2009). Também realiza trabalhos nos campos de videoarte, fotografia e videoclipe.

Filhos de João levou 11 anos para ficar pronto, tempo que revela o quanto fazer cinema na Bahia (ou em qualquer região fora do eixo) exige compromisso e persistência, como enfatiza o próprio Henrique. O filme apresenta a trajetória do grupo musical Novos Baianos, mostrando uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado pelos integrantes do grupo e comentando a marcante influência de João Gilberto na trajetória dos Novos Baianos, motivo do título do filme. O Admirável Mundo Novo Baiano perpassa toda a cultura urbana do underground baiano ao longo dos últimos quarenta anos.

Depois, Henrique passou a se dedicar ao resgate da importância do cineasta Olney São Paulo – a quem Glauber Rocha chamava de “mártir do cinema brasileiro” – no cenário do cinema e da política no Brasil, propondo reflexões críticas com sensibilidade estética e apropriações de diferentes linguagens artísticas em suas realizações.

Captura de Tela 2013-12-10 às 20.49.42Ser Tão Cinzento, curta premiado no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília em 2011, conta a história da perseguição política contra Olney, por parte da Ditadura Militar. A partir da projeção de Manhã Cinzenta (1969), uma das mais marcantes obras de Olney, nas paredes de uma construção em ruínas com elementos do cenário que remetem à tortura, o filme traz depoimentos de Orlando Senna, Silvio Tendler, José Carlos Avellar e Luis Paulino dos Santos, entre vários outros entrevistados, que falam sobre as filmagens de Manhã Cinzenta e sobre as circustâncias em que Olney foi perseguido, preso e torturado, vindo a falecer em 1978, vítima de um longo processo de abusos perpetrados pelo regime ditatorial civil/militar que vigorou por mais de 20 anos no Brasil.

Em 2013, Henrique realiza Sinais de Cinza, A Peleja de Olney Contra o Dragão da Maldade, filme que, de forma mais ampla, busca dar a dimensão da importância do cinema de Olney São Paulo, através dos depoimentos de Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, José Carlos Avellar, Helena Inês, Edgar Moura, Edgard Navarro ,Tuna Espinheira, entre vários outros ícones brasileiros do cinema. Sinais de Cinza percorre agora festivais, tendo participado do Festival do Rio e do Festival de Havana.

Atualmente, Henrique Dantas trabalha no projeto provisoriamente chamado Galeria F, filme que narra vivências de presos políticos na Bahia nesses mesmos anos de chumbo da ditadura militar.

Henrique fala com firmeza e ao mesmo tempo com serenidade. “Para falar de meu trabalho eu preciso falar de mim”, diz, revelando o pertencimento pleno que o conduz na escolha de seus temas e na realização de suas obras. A conversa que gravamos será publicada em breve, no sexto webdoc do Canal. Acompanhe as nossas redes no Facebook e Twitter.

Documentário Hera no Festival InVerso

Festival de Arte e Cultura em Feira de Santana exibirá o doc “hera” (2012)

Captura de tela 2013-10-17 às 23.19.57No próximo 23 de outubro em Feira de Santana/Ba, o Festival InVerso de Arte e Cultura, promovido pela DiaboA4 Editora e pelo Feira Coletivo Cultural, vai exibir o documentário Hera, realização independente do Bahiadoc – Arte Documento, dirigida por Fabricio Ramos e Camele Queiroz, que traz conversas com poetas baianos fundadores da revista literária Hera, que marcou a cena cultural na Bahia. Mais sobre o doc: http://www.hera.bahiadoc.com.br/

TRAILER DO DOC

[vimeo https://vimeo.com/39518201 w=570&h=320]

SOBRE O FESTIVAL

Em sua primeira edição, o Festival InVerso traz como tema central a reflexão sobre a vida urbana a partir de um olhar sobre Feira de Santana, promovendo uma série de atividades artísticas que acontecerão ao longo de 3 dias (23,24 e 25 de outubro de 2013) no Museu de Arte Contemporânea (MAC). Além da exibição do documentário “hera”, a programação traz oficinas artísticas, exposição com os cartazes dos eventos realizados pelo Feira Coletivo Cultural nos seus 5 anos de atuação na cidade, apresentações de dança com a Trupe Mandhala, shows com bandas locais, bem como a abertura da exposição fotográfica e o lançamento da antologia de poemas Cidade, fotógrafos e poetas da região de Feira de Santana com trabalhos inéditos sobre suas experiências na urbe.

Evento no Facebook e programação completa: https://www.facebook.com/events/372923662839348/?ref=22

Doc “Profissão de Vaqueiro” registra a viagem de vaqueiros da Bahia a Brasília

Filmamos a viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília para acompanharem – no Plenário do Senado, todos encourados – a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre o reconhecimento da profissão de vaqueiro.

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O projeto foi aprovado no Senado no dia 24 de setembro de 2013, e encaminhado para sanção da Presidente da República. O doc foi gravado entre os dias 22 e 25 de setembro, durante a viagem de ônibus de Salvador até Brasília e durante a visita dos vaqueiros a Igreja Matriz e ao Plenário do Senado Federal.

Profissão de Vaqueiro resultou, portanto, de nossa parceria com o antropólogo Washington Queiroz, articulador da viagem, que se dedica há mais de trinta anos à pesquisa da cultura sertaneja e à luta dos vaqueiros por reconhecimento simbólico e profissional.

Como realizadores, eu e Camele Queiroz pudemos prosear com os vaqueiros durante a viagem e conhecer um pouco de suas vidas. A história de vários deles, sobretudo daqueles que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga, revela muita coragem e fé, mas também realidades sociais dramáticas, injustas e muito graves, marcadas pela desigualdade e pela exploração históricas. O documentário não resume a história dos vaqueiros, nem a isso se propõe: apresenta a memória filmada dessa viagem que os vaqueiros fizeram para testemunhar um momento histórico no país, que é parte de um processo de reconhecimento do vasto patrimônio cultural do sertanejo.

Em breve, disponibilizaremos o doc na íntegra através da internet. No Blog do Bahiadoc tem uma matéria um pouco mais detalhada sobre a viagem, ilustrada com frames do doc: acesse aqui.

Entre Canudos e quilombos – conversa com o cineasta Antônio Olavo

Como parte do trabalho que realizamos pelo Canal Bahiadoc, conversamos, numa manhã de sábado, com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia. Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

Interessante notar que, durante a realização do filme “Quilombos da Bahia”, Olavo e sua equipe percorreram mais de 12 mil quilômetros pelo interior da Bahia, visitando centenas de comunidades negras, filmando em 69 localidades quilombolas. Como indica Olavo, “o filme rasgou o véu que cobria as comunidades quilombolas na Bahia”, contribuindo, inclusive, para revelar e mapear essas comunidades, o que favoreceu depois a implementação de políticas públicas básicas nessas localidades. O cinema, através do “Quilombos da Bahia”, chegou em tais localidades antes das instituições governamentais.

As vivências que Olavo conta sobre suas passagens por Canudos e pela história do lugar também são fascinantes. Aliás, é esta uma das riquezas da experiência do fazer documentário: as vivências e as transformações pessoais que impactam a nossa vida para além do cinema.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

O Canal Bahiadoc é uma realização do Bahiadoc – arte documento e traz uma série de seis webdocs com realizadores baianos. Os vídeos podem ser vistos em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc