[Salvador] O Cinematógrafo no Cine XIV de outubro exibe “A Liberdade é Azul”

Cinematógrafo de OUTUBRO

Nota dos curadores:

Julie Vignon (Juliette Binoche) sobrevive ao acidente de carro que vitimou seu marido e sua filha pequena. Diante da dor da perda, ela decide enfrentar a tragédia experimentando uma liberdade radical em sua vida, recusando o luto e o choro, livrando-se de seus bens e patrimônio, evitando se ligar ao próprio passado e se afastando definitivamente das pessoas com as quais mantinha vínculos afetivos.

Em A Liberdade é Azul (1993), a Música e cor cumprem uma função narrativa mas, sobretudo, compõem a estética do filme, que proporciona uma experiência sensorial impactante, imprescindível de ser vivenciada num ambiente que somente a sala de cinema oferece. O tema da liberdade aparece sob uma abordagem existencial e trágica, mas evoca questões que se ligam a uma ampla variedade de problemas contemporâneos.

O diretor polonês Krzysztof Kieslowski completou a sua trilogia das cores com A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é Vermelha (1995), títulos que fazem clara referência aos ideais iluministas encampados pela Revolução burguesa na França. A acepção demasiado óbvia dos títulos poderia sugerir uma leitura apressada, relacionando o filme à preponderância de razões políticas e históricas. Entretanto, em A Liberdade é Azul, a história e a política só aparecem enquanto substrato de uma experiência individual trágica que, como um corpo que se afoga, busca na própria crise dos ideais, se não uma tábua de salvação, uma maneira possível de ficar submerso. — (Por Fabricio e Camele).

O quê: sessão de A Liberdade é Azul no Cinematógrafo
Quando: dia 7 de outubro, sábado, às 16h.
Onde: no Cine XIV, no Pelourinho (veja mapa mais abaixo)
(A contribuição é de R$ 5,00)

O CINEMATÓGRAFO:

O Cinematógrafo no Cine XIV exibe filmes, mensalmente, de variadas formas e temas, sempre no primeiro sábado do mês, às 16h. O intuito é instigar conversas sobre os mais diversos problemas contemporâneos, nos campos da política, da estética e da arte em suas relações com a vida. A curadoria é de Camele Queiroz e Fabricio Ramos e os filmes programados são divulgados a cada mês em nossas redes (curta a página no Facebook).  A contribuição é de R$ 5,00 por sessão. Apoie a iniciativa se tornando um membro associado através da anuidade (sessenta reais) que garante acesso às doze sessões anuais.  Fale conosco e participe!

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nota sobre “Tour de France” (França, 2017), filme de Rachid Djaïdani

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O convívio circunstancial entre Far’Hook (Sadek), um jovem rapper, filho de imigrantes árabes, que vive na periferia de Paris, e Serge (Depardieu) um homem mais velho, francês rancoroso que manifesta sua xenofobia e racismo a todo momento, constitui o núcleo dramático do filme que, inicialmente, me pareceu verdadeiramente uma obra “Tour de force” pelo potencial do tema, pelo estilo documental cheio de beleza, pela simplicidade dramática e pela eficácia narrativa da primeira fase do filme. Infelizmente, a partir de sua segunda metade, o drama perde força, a narrativa sucumbe a peripécias tolas e os diálogos não resistem aos clichês mais dispensáveis diante da intensidade dramática que vinha se desenhando.

Um filme que parte de um tema árduo e urgente, necessário de ser abordado no cinema e na arte, especialmente na França. Que, em seu início, seduz com a sensibilidade formal (fotografia documental, boas atuações, ritmo equilibrado) e narrativa (um mote verossímil, realista e de forte impacto dramático e temático). Enfim, um filme que começa insinuando um possível “tour de force” temática a formalmente arriscado em sua fábula. Porém, assumo a minha decepção, acaba por se revelar um panfleto que flerta com o maniqueísmo político (bem intencionado, é certo), ao confrontar, de forma literal e nada sutil, o “velho” e o “novo” como emblemas, respectivamente, do passado (do ultrapassado) e do futuro (do progresso) socialmente promissor, respondendo claramente a um clamor ideológico disseminado, mas sem o substanciar minimamente em seu drama complacente, nem arriscar ir além da superfície na construção dos personagens.

“Tour de France” promove, portanto, um discurso de fácil aceitação (o da reflexão sobre populações excluídas, do problema do racismo e propondo o convívio respeitoso em meio às diferenças), capaz de tocar um público de um amplo e variado espectro ideológico, mas que, para isso, simplifica demasiadamente os problemas que emergem do encontro entre os personagens, cujos mundos sensíveis tão diferentes, dividindo o mesmo território e partilhando a companhia um do outro, representam grandes conflitos sociais, políticos e éticos.

De toda forma, é um filme bom de ver: abstraindo certos momentos de forçação de barra e a decepcionante perda de intensidade dramática na medida em que se aproxima do fraco desfecho, é um filme bonito, cujo estilo é marcado pela simplicidade, que traz bons momentos de humor e uma mensagem edificante.


nota sobre “Francofonia”, de Alexandr Sokurov

Captura de Tela 2016-08-21 às 12.10.14“Francofonia” (2016) é uma elegia à Europa, já foi dito por aí na imprensa.

O filme de Sokurov, na forma de um comentário despretensioso e subjetivo, nos relembra toda a civilização e barbárie moderna para pensar a relação entre museus e poder na Europa, expressando meio que um pequeno inventário das sensibilidades através do encontro, mediado pelo Louvre e seu simbolismo, de dois personagens que compactuam o respeito aos museus da Europa, mas que se encontram sob o signo da dominação política e militar: o aristocrata à serviço da máquina nazista e o republicano à serviço do funcionalismo público francês. Ambos profundamente ligados à história da Arte, mas movidos muito mais pelo amor à “civilização” que, não obstante a imposição de mais uma guerra brutal, produz suas memoráveis maravilhas.

Civilização que o russo Sokurov, que começa o filme mostrando Tolstoi e Tchekov, a um só tempo celebra e execra. No belo “Arca Russa” ele exaltou o Hermitage e, se lembramos disso, compreendemos o choque do diretor oscilando entre o fascínio pela cultura europeia e a denúncia da barbárie nazista contra a Rússia, que vitimou milhões de russos no cerco a Leningrado, a mesma São Petersburgo do Hermitage, a mesma cidade que nasceu do ímpeto fáustico de uma Rússia imperial que preambulou a história europeia e mundial do século XX com a revolução bolchevique. Na guerra, respeito à França (invadida e ocupada), mas destruição à Rússia, esse oriente, esse bolchevismo, essa não-europa.

Não gostei, dramaticamente falando, das inserções dos personagens performáticos de Napoleão e da Marianne, ambos representando a República Francesa de forma delirante e excessivamente caricatural. Talvez tais recursos narrativos tenham advindo da necessidade do diretor de personificar a História, porém com menos êxito do que o personagem do comandante de uma navio (que fala com Sokurov de forma instável pela internet) que transporta obras de arte em contêineres enquanto enfrenta uma tempestade absurda.

Sem citar o poeta russo, Sokurov nos ilustra o mar agitado da História, cuja civilização e barbárie engendrou os maravilhosos museus de seus filmes, instituições que sobreviveram às tantas guerras travadas naquela Europa. Em “Francofonia”, entretanto, o destino do navio que leva as obras de arte naqueles mares agitados não é conclusivo. Sokurov nos deixa em suspenso, sem um “fim da história”, mas em meio a uma enorme ameaça.

nota sobre “Güeros” (2014), filme do mexicano Alonso Ruiz Palacios

Três personagens, marcados pela apatia e pelo tédio, percorrem a Cidade do México em busca de um roqueiro mexicano obscuro, desconhecido e prestes a morrer, mas que teria feito “Bob Dylan chorar”. Com atmosfera de comédia sensível e com fluidez narrativa e dramática, Güeros (2014), debute do diretor mexicano Alonso Ruiz Palacios, desdobra a relação entre Cinema e experiência, compondo um poema visual a cada tomada e revelando um feliz domínio estilístico da linguagem do cinema.

Na trama, o menino do interior Tomás, por causa de seu comportamento que a sua mãe, cansada, já não consegue controlar, é mandado para uma temporada na casa do irmão mais velho Federico, na Cidade do México. Federico, apelidado sugestivamente de Sombra, vive confinado com o amigo Santos, ambos universitários, num apartamento escuro, claustrofóbico e sujo. Ao saberem que Epigmenio Cruz, o roqueiro que marcou a infância dos irmãos, está à beira da morte, resolvem visitá-lo para que ele autografe a fita cassete que Tomás não se cansa de ouvir. O modo como a Cidade do México é percorrida pelos personagens revela as escolhas do diretor, que infiltra aspectos sociais, económicos, políticos e geográficos, tornando esses aspectos, junto com os ruídos e os enquadramentos, elementos estruturais da Poética do filme.

Captura de Tela 2016-06-25 às 14.59.02Rodado em Preto e Branco e inteiramente em formato 4:3, as primeiras sequências já capturam pelo ritmo dinâmico e inventivo. Mas momentos pontuais do filme marcam pela força expressiva e de narratividade: a crise de pânico de Sombra, que é mostrada com eficácia, simplicidade e beleza, e o seu monólogo sobre o cinema mexicano que manifesta uma autocrítica, mas mais ainda, uma visão política sobre a função do cinema.

¡Puto cine mexicano! Agarran unos pinches pordioseros y filman en blanco y negro y dicen que ya están haciendo cine de arte. Y los chingados directores, no conformes con la humillación de la Conquista, todavía van al Viejo Continente y le dicen a los críticos franceses que nuestro país no es más que un nido de marranos, rotos, diabéticos, agachados, ratoneros, fraudulentos, traicioneros, malacopa, putañeros, acomplejados y precoces”.

Sombra e Santos representam jovens de uma geração deslocada das grandes lutas políticas de seu tempo. Mas não são personagens politicamente alienados nem ideologicamente orientados. A ideologia não se revela só pela vontade, dirão alguns que, apressadamente, acusarão o filme de carregar uma mensagem crítica demais à esquerda. Mas, embora o filme não passe ao largo das questões políticas (tem as cenas de assembleias estudantis e de ocupações universitárias mais bem executadas que já vi), incumbe Sombra, poeta, sensível, amante e com crises de pânico, de assumir outras lutas que, para ele, são mais fundamentais naquele momento. Lutas íntimas, que emprestam à sua personalidade o drama da existência desesperada e inútil, ao ponto de temer a loucura, mas capaz de amar, sorrir e enfrentar o mundo. Se Sombra não se identifica com os jargões e com os conflitos dos estudantes grevistas, a sua própria existência transcende o conformismo da contestação daqueles jovens revolucionários impregnados de chavões e ideias de esquerda do século 20 (o filme é ambientado nos anos 1999-2000, no período de greves da UNAM – Universidade Nacional do México). Para Sombra, Ana, a quem ele ama e que é uma das lideranças dos movimentos estudantis, contesta um mundo sem deixar de pertencer ao mundo contestado.

Em Güeros, a crítica política dirigida à esquerda é provocadora, mas é tangencial. A crítica política maior que o filme transmite ataca a violência sistêmica difusa que transforma os jovens, as suas subjetividades, em sombras obrigadas a enfrentar a vida mesma, a vida – como diria Pasolini – existencial, direta, concreta, dramática, corpórea, das pessoas que vivem os impactos das realidades sociais injustas, o “mundo cultural” no interior do qual se exprimem física e existencialmente milhões de pessoas marginalizadas, excluídas, estigmatizadas, social e espiritualmente. Por isso, no filme, jamais ouvimos a música do roqueiro Epigmenio Cruz, que impacta imediatamente todos os personagens que a ouvem e que “poderia ter revolucionado o rock mexicano”, mas a pressentimos sob nossos próprios tons.

Captura de Tela 2016-06-25 às 15.00.12O filme, portanto, participa de um inventário de sensibilidade crítica que, no cinema brasileiro atual, é inexistente. Güeros acerta ao realizar com eficácia a conjunção de tensões estéticas e tensões emocionais, tensões próprias das linguagens artísticas, sem incorrer em experimentalismos formais injustificados, ao passo que logra, com simplicidade narrativa, revelar as nuances individuais de um grupo de jovens, e especialmente de Sombra, sem escorregar em propensões narcísicas.

Em tempo, o longa-metragem ganhou o prêmio de Melhor Filme Estreante em Berlim e o Melhor Filme Latino-Americano em San Sebastian. Por aqui, foi exibido no Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba, em 2015.

nota sobre TROPYKAOS (2015), de Daniel Lisboa

Captura de Tela 2015-11-17 às 15.52.54O primeiro longa de Daniel Lisboa suscitou expectativas, seja pela trajetória do diretor, cuja verve inicial expôs violentamente, com “O fim do homem cordial”, o autoritarismo do carlismo em pleno início dos anos dois mil, seja pela melancólica carência de longas produzidos na Bahia (e por baianos) que logram chegar às salas de cinema. E ainda tinha o tema instigante, o calor “ultraviolento” contra um poeta (marginal?), e a forma, que trazia a promessa de uma estética marginal.

Se pensarmos o cinema marginal como um “cinema de invenção”, hermético, escrachado e não convencional na forma, subversivo e provocador na temática, e, no que se refere às condições de produção, precário e improvisado, então fica difícil localizar Tropykaos nesse campo. O filme se parece mais com uma soma de fragmentos, alguns fora de lugar, que orbitam as perambulações de Guima, o poeta “burguês”, branco, enfraquecido e violentado pelos raios solares “ultraviolentos”, pelas ruas de uma Salvador praiana, negra e popular, em busca de um ar condicionado. Mas o roteiro linear, a superficialidade narrativa (falta de densidade dramática e de estilo) e a estrutura de produção deslocam o filme de uma proposta marginal, exceto enquanto inspiração ou sátira.

Se a metáfora climática do calor excessivo e insuportável poderia incitar variadas provocações (assim como a do frio de “Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho, o fez), Tropykaos não a explora dramaticamente. Metaforicamente, o personagem impotente parece, inicialmente, sugerir uma tentativa de escapar dos problemas do presente, de seu tempo, de sua cidade cujo calor o agride e com cuja “baianidade” folclorizada ele não se identifica. A literalidade narrativa, no entanto, nubla a possibilidade dessas sugestivas leituras.

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Outras subnarrativas, entretanto, acabam saltando à vista. Por exemplo, numa abordagem ambígua da questão do mecenato estatal e do patrimonialismo, o poeta marginal é cobrado pelo Estado por não realizar a obra financiada com recursos públicos e, no mesmo instante, um funcionário do estado convida o poeta a declamar num evento palaciano, convite que o poeta aceita à contragosto, mas aceita. Uma passagem que depõe contra o artista e favorece uma aceitação acrítica, por parte do poeta, do paternalismo do estado, que funciona bem e cumpre seu papel de patrocinador responsável e eficiente, pelo menos para com o artista “burguês”. Enfraquece o personagem que era fraquíssimo. Outra subnarrativa, a que nos informa que a incapacidade de Guima de escrever se deve ao calor excessivo (e à sua “falta de estrutura genética” para suportar esse calor), remete àquelas velhas pseudoteorias reducionistas que apregoavam que o calor dos trópicos era incompatível com o pensamento (eurocêntrico), que o clima tropical não favorecia o pensamento filosófico ou poético. Aí é perceptível a influência inconsciente de um pseudoelitismo preconceituoso.

Desde sempre os filmes exploram fórmulas através das quais o cinema transmuta contradições sociais, culturais ou políticas em fábulas de sucessos individuais, aventuras exóticas e sentimentalismo. Tropykaos não se afasta disso, e até ganha com isso oferecendo um “discurso” contra as pretensões do filme de arte e do drama histórico, flertando com a caricatura e com certa estética HQ. Entretanto, o filme não nos convence da angústia do protagonista, interpretado por Gabriel Pardal (que é poeta) nem a metáfora do calor alcança intensidade dramática ou narrativa que justifique a tentativa de crítica à “baianidade”, que poderia ser válida, se melhor construída.

Em Tropykaos, Daniel Lisboa parece querer falar a uma parcela do público que, como ele (segundo algumas entrevistas suas à imprensa), se sente deslocada dos clichês definidores de uma Salvador mistificada. Trata-se de um mérito de Tropykaos que, inegavelmente, tenta fazer outras exigências ao público, subvertendo os temas típicos do cinema que, quase sempre, refletem o modo como a sociedade quer ver a si mesma ou se distrair de si mesma. Mas não é fácil obter êxito em tão arriscado empreendimento que exige do filme (logo, de quem faz o filme), além da indispensável dose de coragem (que Lisboa teve), uma potência mais viva à altura da poesia que é mote ausente do filme, e uma capacidade maior de expressar cinematograficamente o dilema e a experiência “ultraviolenta” de se viver numa Salvador quente pra caralho, cabendo nesse “quente” todas as metáforas boas ou más, violentas ou amorosas, negativas ou afirmativas, insuportáveis e maravilhosas.

Por fabricio ramos

(Vi o filme na Competitiva Nacional do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador).

Na Cisjordânia: “As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente” (Caetano Veloso)

Cabe colocar o MUROS como um filme que dialoga com sentimentos que Caetano expressa no texto. Em visita à Cisjordânia junto com Gilberto Gil:

“As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente. (…) Era impossível não fazer paralelo com situações que vivemos no Brasil.”

Caetano Veloso, Hoje (8/nov), na Folha, no artigo “Visitar Israel para não mais voltar a Israel” [link]

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Foto: Folha de São Paulo

No entanto, embora o texto de Caetano ultrapasse muito o paralelo, compõe um relato confortavelmente distanciado da dimensão do drama palestino e evitando prudentemente qualquer reducionismo comparativo (e expressando uma certa “mea culpa”, importante ressaltar, por ter aceitado fazer o show em Israel depois de campanhas para que ele recusasse, e agora diz que não volta mais lá…). Para nós, cabe colocar o MUROS como um filme que dialoga com os temas que Caetano aborda, pontualmente.

[Para quem ainda não viu, no filme, seguem trailer, infos e site do MUROS]:

 Os diretores Fabricio Ramos e Camele Queiroz acompanham o fotógrafo Rogério Ferrari percorrendo os bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, motivados pela impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras sob vários aspectos sociais, urbanísticos e arquitetônicos.

MUROS põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, ritmando fotografia e cinema, direcionando as escolhas Estéticas para o sentimento de afirmação da vida e de resistência cotidiana. MUROS é um curta metragem de 25 minutos cuja estrutura identifica-se com a maneira escolhida pelos diretores Fabricio e Camele para percorrer os espaços em que o filme acontece (favelas), e com a forma como se relacionam com Rogério, que mantém sua autonomia característica de suas vivências fotográficas pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros.

https://curtamuros.wordpress.com/

Registros da luta dos Guarani kaiowá por Rogério Ferrari

Em setembro de 2015, o fotógrafo Rogério Ferrari esteve no Território Guarani Kaiowá, e além de Fotografias, fez registros em vídeo com depoimentos. Visite:

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Rogério Ferrari é fotógrafo, atua com autonomia e retrata a luta por autodeterminação de diversos povos pelo mundo, buscando refletir sobre o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia; Curdos, na Turquia; Zapatistas, no México; Saharauís no norte da África; Ciganos no interior da Bahia, entre outros.

Neste mês de setembro de 2015, Rogério está no Território Guarani kaiowá. Como ele mesmo coloca no seu texto:

para fotografar e me juntar, e assim trazer mais relatos sobre esse novo momento de retomadas. Fui com o propósito de fotografar e colher alguns depoimentos, que agora disponibilizo por essa via. Fotografar é também uma maneira de estar e participar, de meter-se no meio do que considero pertinente.

Rogério Ferrari é baiano de Ipiaú, radicado em Salvador ou em permanente nomadismo. Participou do filme Muros, de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, curta que relaciona Brasil e Palestina através do olhar de Rogério. MUROS participa de vários festivais e mostras de Cinema no Brasil e no exterior.

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Passagem do filme “Muros” por São Paulo: nove sessões e resposta do Público

Muros, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz que relaciona Brasil e Palestina, ficou entre os 10+ favoritos do público do 26º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum [ver site].

Foram cinco sessões pelo Festival de Curtas: no MIS (duas vezes), no CineSesc e no Espaço Cultural São Paulo. Mais uma sessão na cidade de São Carlos, pela itinerância do Festival. Iniciativas ligadas à Ufscar selecionaram cinco dentre os 51 filmes da Mostra Brasil do Kinoforum para mostra local, “Muros” entre eles [ http://migre.me/roa7n ].

Na 10a. Mostra Mundo Árabe de Cinema​, o filme teve duas sessões no CCBB-SP, uma na Matilha Cultural junto com a expo “Nosoutros”, do fotógrafo Rogério Ferrari, que é um desdobramento do filme [ http://migre.me/rnMXb ]. E terá mais uma sessão no dia 10 de setembro, no Cine Olido [ver site].

Dia 4 de setembro o filme passa em Buenos Aires pelo DocAnt2015. Também participa do FIDOCS 2015, em Santiago do Chile, além do 15º Goiânia Mostra Curtas​, em breve.

Muros ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V FECIBA – Festival de Cinema Baiano de 2015.

O que é feito da política na internet pós-facebook?

Não seria a hora de revisar as tendências políticas em rede, tanto em suas pautas quanto em suas dinâmicas, e especialmente quanto às suas formas e plataformas?

Captura de Tela 2015-05-29 às 12.26.56Em meados dos anos 2000 até recentemente, englobando, entre outros casos, a lei SOPA, a lei Sinde, a SGAE, leis cujas imposições refletiram no Brasil principalmente através do Senador Azeredo, do PSDB-MG (Lei Azeredo) e do Governo Dilma que, em contraposição aos Governos Lula, instrumentalizou o MinC pondo-o à serviço do ECAD e dos interesses de lobbys como o MPAA. E as resistências: os impactantes vazamentos do WikiLeaks, a morte de Aaron Swartz criminalizado por seu afã heróico de difundir livremente o conhecimento humano, as denúncias de Snowden acerca da hipervigilância ilegal e criminosa do Estado, as campanhas contra as prisões dos criadores do Pirate Bay, Megaupload etc. Todas essas leis de controle e de proteção dos interesses de grupos privilegiados e lobbys econômicos industriais não lograram, até aqui, se efetivar (a questão da neutralidade da internet continua em debate, e a infraestrutura da internet é uma questão subvalorizada, mas crucial). Todas essas leis visavam a solapar o potencial de energia criativa inerente à humanidade, que brota nas bases, nos lastros, e que atua transversalmente nas múltiplas realidades culturais em diversos níveis: locais, regionais e globais, com consequências incertas e explosivas, assustadoras para qualquer poder constituído.

Ou seja, a Política acontecia numa escala global a partir de ações reais e virtuais locais, numa interseção tão poderosa quanto bastou, por exemplo, para barrar a SOPA, fazer eclodir a primavera árabe e as acampadas pelo mundo, e muito mais coisas em escalas e experiências diversificadas.

Mas o quê acontece agora?

Os desdobramentos do Podemos e da Syriza, respectivamente na Espanha e na Grécia (ambos os países em meio de graves crises econômicas), embora importantes, conduziram tais lutas ao afã de se institucionalizarem na forma de partidos para lograrem graus de efetividades políticas dentro do sistema político estabelecido, para de dentro dele realizarem mudanças estruturais possíveis. Em paralelo, a política passou a acontecer em níveis nacionais, dificultando as interseções visto que cada país enfrenta seus contextos políticos próprios, limitados por legislações específicas e por situações econômicas e culturais peculiares em cada país ou região. A ação Política libertária e contestatória se dissipou e a Ética e Atitude hacker deu lugar à dinâmica, predominantemente, institucional e fragmentada.

O Facebook, corporação privada, passou a ser o vetor principal de articulações diversas (para articular desde ocupações, até protestos e rolezinhos), ao mesmo tempo em que governos cujas estruturas de controle e de vigilância, na maioria das vezes ilegais e autoritárias, requisitam o Facebook como principal colaborador para cerceamento, vigilância e controle de ações políticas. No Brasil, perigosamente, a corporação Facebook participa de projeto de inclusão digital, fruto de parceria do Governo Federal com corporações do Vale do Silício.  [http://migre.me/q3RCV]

Não sei se estou enganado, pois não estou antenado com o mundo da tecnologia (não uso zapzap, por exemplo, nem sequer celular com conexão à internet). Mas a internet, gradualmente, nesses últimos anos, tem reduzido o seu papel como ambiente anárquico e potente para a efervescência de uma emergente subcultura cujos valores fundem anti-autoritarismo punk com fascínio pelas tecnologias informacionais de ponta, embasados numa Ética colaborativa de livre e irrestrito acesso a tudo o que é produzido na esfera do conhecimento e da cultura.

Ocorre-me (me corrijam se for o caso) que essa redução da potência política da internet enquanto ambiente anárquico, contestatório e política e tecnologicamente inovador coincide proporcionalmente com a escalada do Facebook como vetor de tagarelices políticas e concentrador de polarizações e filtramento de informações.

Alternativas há, como o Diáspora, mas não alcançaram ainda o patamar do face. Não seria a hora de revisar – efetivamente e em maior escala – as tendências políticas em rede, tanto em suas pautas quanto em suas dinâmicas, e especialmente quanto às suas formas e plataformas?

Filmes de alma (até para quem não curte o surf)

À primeira vista, os filmes documentais sobre surf podem parecer desinteressantes para quem não curte o esporte que é também estilo de vida e e visão de mundo, mas muito pelo contrário:

Fábio Fabuloso (2004)

Fábio Fabuloso [trailer], filme-cordel em forma de fábula, traz uma história de superação e um divertido retrato de Fabinho Fabuloso, um dos maiores surfistas brasileiros de todos os tempos, tudo com excelente trilha sonora. Direção de Pedro Cezar, Ricardo Bocão e Antônio Ricardo.

Blue Horizon (2004)

Blue Horizon [trailer] , interessantíssimo, acompanha durante dois anos dois dos maiores surfistas do mundo: Andy Irons, altamente competitivo, e Dave “Rasta” Rastovich, um freesurfer de alma que escolheu não competir. No mesmo mundo do surf, duas visões distintas de mundo e de vida. Dirigido pelo diretor de fotografia mais famoso do mundo surf, Jack McCoy.

The Heart & The Sea (2015)

Agora quero ver esse “The Heart & The Sea” (2015), do australiano Nathan Oldfield, que tem a participação do mesmo Dave Rastovich enre outros grandes nomes, e que, segundo a Fluir, oferece um olhar aprofundado sobre a íntima relação entre surfistas de alma e o oceano.

Reitero, indico esses filmes mesmo para quem não curte ou não pratica o surf. São filmes de alma.