Em São Paulo, Expo “Nosoutros” reúne fotografias de Rogério Ferrari relacionando Salvador e Palestina

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.03.27Permanece até dia 11 de setembro de 2015, na Matilha Cultural em São Paulo, a Expo Fotográfica “Nosoutros”. Realizada pela Mostra Mundo Árabe de Cinema, a expo relaciona os campos de refugiados palestinos com os bairros periféricos de Salvador, reunindo fotografias de Rogério Ferrari tiradas durante as filmagens de “Muros” e de suas vivências anteriores na Palestina, Líbano e Jordânia.

Segue matéria de Arthur Gandini para o site do Instituto da Cultura Árabe:

A Matilha Cultural, no centro de São Paulo, foi palco, na quinta-feira (27), da abertura da exposição de fotos “Nosoutros”, de Rogério Ferrari, que fica em cartaz no espaço até 11 de setembro. A abertura teve também a exibição do filme “Muros”, com as presenças dos cineastas Fabricio Ramos e Camele Queiroz, além da produtora de “Marte ao Amanhecer”, Nirah Shirazipour.

Resultado do mais recente trabalho do baiano Rogério Ferrari, que não pôde estar presente na abertura,  “Nosoutros” documenta, com fotos em lambe-lambe e projeções audiovisuais, o olhar-ponte do fotógrafo sobre os campos de refugiados palestinos em 2002 e 2008, relacionando-os com bairros periféricos de Salvador, Bahia, em 2014. A exposição conta também com o trabalho audiovisual “Eloquência do sangue”, realizado a partir de fotos feitas na Palestina ocupada em 2002 e do som ambiente registrado neste período. As palavras do autor repercutem a força das imagens ao propor “que a arte assuma o lugar que lhe corresponde: o de aquecer a rebeldia”.

Como em toda a programação da Mostra nesta 10ª edição, a exposição de fotos dialoga com o filme “Muros”, misturando imagens de vídeo com os cliques de Rogério Ferrari, que também integram a película. “São realidades difíceis por diversas razões e quem nos falou primeiro dessa relação foi o Rogério, porque ele esteve lá nesses campos palestinos. E nós, que somos de Salvador, conhecemos o trabalho dele”, contou Fabricio Ramos, um dos diretores de “Muros”. “Quando ele fez essa inferência, nós propusemos logo um trabalho. Já que estamos na área do cinema e ele, na da fotografia, vamos fazer essa junção.”

Captura de Tela 2015-09-04 às 17.15.22Camele Queiroz, também diretora do filme, falou sobre como o público brasileiro tem se identificado com a obra. “Você percebe nitidamente que há uma relação clara entre aquelas realidades, mesmo que, no caso da imagem, atenha-se mais a aspectos geográficos, da arquitetura, do urbanismo. Como há algumas fotografias que não apresentam pessoas, necessariamente, e sim mais aspectos urbanos, algumas pessoas falam “poxa, aí eu já não sabia onde era”, disse.

Segundo Ramos, o objetivo do filme foi mesmo impactar o público, o que ele tem visto acontecer. “Estão fechando as fronteiras com muros para que os imigrantes não possam chegar à Europa mais desenvolvida.”

O diretor também falou sobre como vê a realidade social no Brasil. “Os muros são históricos e ainda muito sólidos, embora, ao longo de gerações, muita gente tenha trabalhado para derrubar esses muros, mas eles existem: os guetos, as ocupações militares nas favelas, o problema urbanístico, social, humano. A solução, por parte do poder, é a solução policial. O Brasil passou por uma melhora de consumo, mas de piora da violência social”, refletiu.

Muitas imagens de Rogério Ferrari que não estão em “Muros” podem ser vistas na exposição na Matilha. Segundo Camele, a exposição mostra um outro olhar do filme, assim como o filme dá outra perspectiva das fotos. “Chamaram isso de uma quarta dimensão”, brincou.

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Participações do “Muros” em festivais e mostras nacionais e internacionais

Muros (25min, 2015), filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, ganhou o prêmio de Melhor filme pelo Júri do V FecibaFestival de Cinema Baiano de 2015. Participou da I edição do Festival Filmes da Estação. O filme segue participando dos seguintes festivais e mostras nacionais e internacionais:

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Kinoforum26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, Mostra Brasil. De 19 a 30 de agosto de 2015. Exibições no CineSesc-SP, no MIS e no CCSP. Confira a programação da participação do Muros no site do Festival.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.34.55Mostra Mundo Árabe de Cinema10ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, de 12 de agosto a 12 de setembro de 2015, realizada pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe). Exibições em São Paulo no CCBB, Matilha Cultural e Galeria Olido. Confira a Programação da Mostra.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.35.35Goiânia Mostra Curtas: 15o. Edição do Goiânia Mostra Curtas – Mostra Oficial. O Festival Acontece de 6 a 11 de novembro de 2015. Acesse o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.45.13FIDOCS: 19ª Festival Internacional de Documentales de Santiago de Chile. O Festival acontece de 22 a 27 de setembro de 2015. Confira o site.

Captura de Tela 2015-08-20 às 07.36.01DocAnt201525º Muestra del Documental Antropológico y Social de Buenos Aires. A Mostra acontece no Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”, de 3 a 5 de setembro. Acesse o site.

“Muros” ganha o prêmio de melhor filme pelo Júri na quinta edição do FECIBA

MUROS 4

frame de “Muros”

Muros“, de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri na Mostra Competitiva de Curtas do V FECIBA – quinta edição do Festival de Cinema Baiano, que aconteceu em Ilhéus, de 07 a 13 de junho, no Cine Santa Clara. Este ano o júri foi composto por Edgard Navarro, Marialva Monteiro e Esmon Primo. O curta “Menino da Gamboa”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, foi escolhido melhor filme pelo público. Confira no site do Feciba todos os vencedores do Troféu FECIBA nas diversas categorias da Mostra Competitiva de Curtas: [ir para o site].

Com a participação do fotógrafo Rogério Ferrari, que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, Cisjordânia e em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, o filme une cinema e fotografia, Palestina e Brasil. Rogério é baiano, natural de Ipiaú. Há anos, retrata a luta por terra e autodeterminação de alguns povos pelo mundo, refletindo o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense; Curdos, na Turquia; zapatistas, no México; Saharauís no norte da África, entre outros.

No filme, os diretores acompanham o fotógrafo durante as filmagens nos bairros do Calabar e do Nordeste de Amaralina, em Salvador, Bahia, para construir uma crônica sobre a impressão de Rogério de que os campos de refugiados palestinos no Oriente Médio são parecidos com favelas brasileiras nos aspectos urbanísticos e arquitetônicos. O curta põe em diálogo o olhar do fotógrafo e o olhar dos diretores, ritmando fotografia e cinema.

Muros é dirigido por Camele Queiroz (também editora e finalizadora) e Fabricio Ramos (que dirige também a Fotografia), tem produção de Juliana Freire, Som direto e finalização de áudio de Haydson Oliveira, segunda câmera de Ramon Coutinho. O curta teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através de edital público realizado em 2013 pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, através da Funceb.

Para que não nos sintamos tão sós: assista o curta

 

O impacto das mudanças atravessa o olhar de um indivíduo e revela, em meio aos cenários urbanos, as forças vivas políticas, históricas, poéticas e místicas que formam o imaginário oculto, ativo e impuro da cidade. (2013, 7min).

“Para que não nos sintamos tão sós” é uma realização independente, a primeira do selo Paideia Filmes.

EXIBIÇÕES:

O curta “Para que não nos sintamos tão sós” participou do XVI Festival Nacional 5 Minutos. Pelo festival, percorreu, entre abril e maio, quatro cidades baianas: Paulo Afonso, Cachoeira, Vitória da Conquista e Salvador.

Em março de 2014, o curta participou do evento Salvador 465: Projetos coletivos e alternativas de convivência com a cidade, realizado no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, que destacou ações de intervenção coletiva de Salvador para debate em comemoração do aniversário da cidade.

Em 2013, participou do V CineFacom, Mostra da Ufba, e foi exibido no evento VI Cinema no Coreto + Debate: Gentrificação, no Largo Dois de Julho, Salvador.

FICHA TÉCNICA:

Roteiro, Direção, Montagem e Finalização de: Fabricio Ramos e Camele Queiroz
Dir. de Fotografia: Fabricio Ramos
Desenho de som: Fabricio Ramos e Camele Queiroz
Pós-produção de imagem: Camele Queiroz
Ator: Wagner Pyter

BAHIA l HD l cor l 7min l 2013

um encontro inesperado com o sagrado e o mistério (prévia)

O resgate do tema de um curta universitário que o realizador gravara dez anos antes o coloca em busca do reencontro de uma história. Fazer o filme se torna um encontro inesperado com o sagrado e o mistério.

[vimeo https://vimeo.com/96148297 w=570&h=320]

Em 2003, fui pela primeira vez na vida num terreiro de candomblé: eu estava fazendo um filme sobre a repercussão das mortes, em dias imediatamente consecutivos daquele ano, de um conhecido Pai de Santo de Ilhéus, o Pai Pedro, e do Bispo emérito da cidade, Dom Valfredo Tepe. Fui a Igrejas e depois fui ao Terreiro de Odé, a casa de Pai Pedro, onde o babalorixá tinha sido assassinado. Cidade chocada. Terreiro de Luto, não pude entrar nem gravar nada. Era um vídeo universitário., de viés político: buscava evidenciar, a partir da repercussão das mortes do babalorixá e do Bispo, a marginalização do Candomblé frente a oficialidade dedicada à Igreja por parte dos poderes institucionais, imprensa, sociedade.

Dez anos se passaram. Em 2013, resolvemos retomar o tema e fazer um outro filme partindo do mesmo tema, já em outro contexto, passado o impacto inicial que a cidade sofreu com a perda de dois de seus ícones religiosos.

Eu e Mel resolvemos, então, levantar recursos para viajar de Salvador até Ilhéus. Iniciamos uma campanha de financiamento coletivo através da internet e conseguimos dinheiro para custear a viagem, e também apoio de amigos na forma de trabalho voluntário (Juliana Freire, produtora, viajou conosco) e de hospedagem solidária (a amiga Lú nos ofereceu todo o conforto). O cineasta Henrique Dantas emprestou equipamento de áudio, e a DIMAS – Diretoria de Audiovisual e Multimeios da Fundação Cultural da Bahia emprestou equipamento de iluminação, através do Núcleo de Apoio à Produção Independente.

Decidimos ir a Ilhéus sem pesquisa prévia, passar lá uma semana, câmera na mão, buscando reencontrar a história. Eis que a história esperava por nós. Lugares inesperados, improvisos, sentimentos: a busca do filme faz surgir novos acontecimentos, novas experiências. Filmar o curta “As Cruzes e os Credos” foi ir a um encontro inesperado, mas no fundo, secretamente esperado por cada um que participou desse encontro. Mas um filme é um filme, que fale por si.

A ideia do filme é provocar uma reflexão através de nossa própria experiência de fazer o filme. Uma reflexão que envolve as raízes de nossa cultura afroíndia, o compromisso dos adeptos com o Sagrado, e o lugar do cinema, ou de um certo cinema.

Nossos agradecimentos a todas e todos que confiaram na proposta e apoiaram direta ou indiretamente a realização do filme, que segue em processo. A prévia é uma amostra que sugere os caminhos do nosso trabalho.

Curta “Para Que Não Nos Sintamos Tão Sós” participa de evento sobre o aniversário de Salvador

Ações de intervenção coletiva são destaque em evento sobre o aniversário de Salvador

Cartaz5min PANNSTSNa próxima sexta, dia 28 de março, véspera do aniversário da capital baiana, será realizado o evento Salvador 465: Projetos coletivos e alternativas de convivência com a cidade, que contará com a presença de representantes de projetos e ações que estão contribuindo para construir uma cidade mais educativa, solidária e sustentável.

O evento está sendo organizado pelo Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador
e iniciará a sua programação com a apresentação do curta Para que não nos sintamos tão sós, de Camele Queiroz e Fabrício Ramos. O filme traz, sob o olhar de um indivíduo, o impacto das mudanças que vem ocorrendo na cidade, revelando as forças políticas, históricas, poéticas e místicas que formam o imaginário da capital baiana.

Logo após a exibição do filme, serão relatadas as experiências dos projetos Bairro-Escola Rio Vermelho, Canteiros Coletivos, Brechó Eco Solidário e Rede Desabafo Social. Todos realizados por instituições e grupos que atuam em diversas frentes, mas que possuem em comum a inquietação com os problemas vivenciados na cidade. Tais projetos vêm atraindo cada vez mais a atenção dos soteropolitanos que buscam alternativas de convivência e mudanças neste cenário.

Ainda como parte da programação haverá a apresentação de um fragmento do espetáculo Rebento, da Cia de Teatro Metamorfose. A peça, que trata de temáticas ligadas à valorização da cultura afro-brasileira, será encenada na íntegra no dia 29 de março, às 16h, no Espaço Cultural Alagados.

A Beleza do Subúrbio

O público presente no evento Salvador 465 também poderá se encantar com a exposição A Beleza do Subúrbio, que conta com fotos tiradas por crianças e jovens (8 a 17 anos) de São João do Cabrito e Itacaranha. A exposição é resultado de uma oficina realizada em 2013, pela educadora Marcella Hausen, onde os participantes aprenderam noções básicas de fotografia e foram provocados a observar a região do Subúrbio com um olhar pautado pela estética, crítica e pertencimento a este lugar.

A exposição poderá ser visitada até o dia 03 de abril, das 8h às 18h. A entrada é franca.

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As Cruzes e os Credos não pára na encruzilhada: uma palavrinha

Enquanto esperamos que o Governo da Bahia repasse os recursos atrasados conquistados através de edital público para um outro projeto, vamos fazendo um filme através de apoio coletivo

cartaz último 2Desde 26 de outubro mobilizamos uma campanha para financiar parcialmente o nosso curta As Cruzes e os Credos. Ontem, dia 20, encerramos formalmente o período de captação de recursos: alcançamos a meta.

Trata-se de um valor bem pequeno quando o relacionamos à produção cinematográfica – R$ 1.200,00. É que nosso objetivo não é questionar os meios ou modelos de produção (ainda que o façamos), mas pontualmente viabilizar a nossa viagem de Salvador para Ilhéus, onde o curta será filmado, experimentando uma certa subversão do uso das redes, em especial do Facebook, ambiente que concentrou nossos esforços. Todo o trabalho da equipe e o acesso aos equipamentos não entraram na conta, obviamente, mas estão garantidos.

O curta, que será dirigido por mim (Fabricio) e por Camele Queiroz, trata de nossas relações com o Sagrado, o místico, a História e a Política, partindo de dois eventos que marcaram a cidade de Ilhéus/Bahia, em 2003: as mortes, em dias imediatamente consecutivos, de dois ícones religiosos da cidade, um da Igreja Católica, outro do Candomblé, um de “morte morrida”, outro de “morte matada”. Um Bispo, um Pai-de-santo. O Bispo era Dom Valfredo Tepe, o Babalorixá era Pedro Farias, o Pai Pedro.

Além dos patrocínios individuais, tivemos o apoio do CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual, grupo que realiza cinema e o debate sobre cinema independente através de uma dinâmica colaborativa e tem alcançado bons resultados. E do Cineclube Socioambiental Crisantempo – Bahia, que incluirá o filme em sua programação no ano que vem, junto com outras realizações do Bahiadoc. “As Cruzes e os Credos” será mais uma realização do Bahiadoc – Arte Documento.

Em tempo, salientamos a importância das políticas públicas de fomento à Cultura, dos editais públicos de Cinema e da necessidade de se consolidar o Cinema – o bom cinema feito no Brasil – também como indústria e mercado, para que nosso cinema possa ocupar espaços tomados hoje por oligarquias corporativas.

Inclusive, aguardamos a liberação de recursos conquistados através de edital estadual que não foram repassados: trabalhamos no projeto contemplado – também um curta documental – há mais de dois anos, mas o Governo do Estado da Bahia contingenciou os recursos da Cultura e os desviou ninguém sabe para onde ou para quê. Uma encruzilhada das brabas. Aguardemos. Enquanto isso, vamos fazer um filme.

Um agradecimento especial a todos que colaboraram com o projeto “As Cruzes e os Credos”, acreditando na proposta e nos realizadores. Agora é mãos à obra!

para que não nos sintamos tão sós (curta)

cartazA cidade em transformação. Um processo que se confunde com desequilíbrio. Em “Para que não nos sintamos tão sós” (2013, 7min), o impacto das mudanças atravessa o olhar de um indivíduo. O filme inicia a ação do selo Paideia Filmes, cuja ideia é realizar pequenas produções audiovisuais que reflitam as nossas relações críticas com a “cidade”, sem ignorar a poesia.

“Para que não nos sintamos tão sós” é uma realização independente da Paideia Filmes, com diração e roteiro de Fabricio Ramos e Camele Queiroz e com a participação de Wagner Pyter.

Assista o filme: https://vimeo.com/63543543

EXIBIÇÃO DO CURTA NO LARGO DOIS DE JULHO

Nesta sexta-feira, dia 19 de abril, o curta, junto com outras obras de diferentes autores, será exibido no VI Cinema no Coreto, no largo 2 de Julho, à partir das 19h.

O evento, além das exibições e de intervenções audiovisuais, promoverá debates com a presença de arquitetos e urbanistas de Salvador e sensibilização artística para crianças. Página do evento no Facebook: VI Cinema no Coreto + Debate: Gentrificação.