MUROS – Entrevista com os diretores do Curta no 26º Kinoforum – 2015

26º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.

Os cineastas e curadores da Mostra Brasil, Caetano Gotardo e Flávia Guerra, conversam com Fabricio Ramos e Camele Queiroz, diretores do curta Muros, que foi eleito um dos 10 preferidos do público no Festival (agosto/2015).

“Muros” e “Mater Dolorosa”: tutus do Brasil

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frame de “Muros”, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz que ficou entre os 10+ favoritos do público em São Paulo

No 26º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo – Kinoforum, à exibição do “Muros” (BA) se seguia a do “Mater Dolorosa” (RJ), de Daniel Caetano e Tamur Aimara. Em uma das sessões em especial, por estar menos ansioso, eu fiquei fortemente impactado: o final de “Muros” de alguma forma antecipa os primeiros ruídos de “Mater Dolorosa”, ou pelo menos assim o senti naquela sessão: os filmes se ligavam pelo tutu.

Tutu. O historiador Dilton Araújo, em seu surpreendente livro “O Tutu da Bahia: transição conservadora e formação da nação (1838-1850)” [PDF], explica que o tutu, no vocabulário político da época, era o “bicho papão”, “algo que incutia medo”, aterrorizava e inquietava a sociedade; tudo aquilo que ameaçasse o projeto político das elites da província baiana era um “Tutu”. O autor pondera que, para o Governo Imperial, considerando as realidades da Bahia e do Rio de Janeiro, existia um elevado perigo de aparecimento de novas inquietações de africanos naquela fase abordada pelo livro. As pesquisas de Dilton também se concentraram nos arquivos das duas cidades: Rio e Salvador.

De onde viriam as possíveis rebeliões? Por que poderiam eclodir? qualquer tambor que soasse nas periferias e enclaves de pobreza da capital baiana (e no Rio), ressoava como uma enorme ameaça: podia ser sinais de grupos se articulando para a revolta; e a imprensa tratava de arregimentar esse medo para cobrar a repressão prévia por via da violência de estado.

Nada disso consta explicitamente nos filmes em questão. E a ligação que faço entre os dois curtas é pessoal e baseada mais em uma sensação do que em qualquer observação formal. Mas ambos os filmes, naquela sessão, em um aspecto, sob certo olhar, me atingiram como se estivessem ligados um ao outro pelo tutu do Brasil.

Passagem do filme “Muros” por São Paulo: nove sessões e resposta do Público

Muros, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz que relaciona Brasil e Palestina, ficou entre os 10+ favoritos do público do 26º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum [ver site].

Foram cinco sessões pelo Festival de Curtas: no MIS (duas vezes), no CineSesc e no Espaço Cultural São Paulo. Mais uma sessão na cidade de São Carlos, pela itinerância do Festival. Iniciativas ligadas à Ufscar selecionaram cinco dentre os 51 filmes da Mostra Brasil do Kinoforum para mostra local, “Muros” entre eles [ http://migre.me/roa7n ].

Na 10a. Mostra Mundo Árabe de Cinema​, o filme teve duas sessões no CCBB-SP, uma na Matilha Cultural junto com a expo “Nosoutros”, do fotógrafo Rogério Ferrari, que é um desdobramento do filme [ http://migre.me/rnMXb ]. E terá mais uma sessão no dia 10 de setembro, no Cine Olido [ver site].

Dia 4 de setembro o filme passa em Buenos Aires pelo DocAnt2015. Também participa do FIDOCS 2015, em Santiago do Chile, além do 15º Goiânia Mostra Curtas​, em breve.

Muros ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V FECIBA – Festival de Cinema Baiano de 2015.

“Muros” terá exibições em São Paulo e Buenos Aires

Entre agosto e setembro de 2015, “Muros”, filme de Fabricio Ramos e Camele Queiroz, terá sete exibições em São Paulo e também será exibido em Buenos Aires. O curta, que une Fotografia e Cinema, ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri do V Feciba 2015.

MUROS cartaz novo LEVEEntre agosto e setembro, o curta-metragem “Muros” (2015), de Camele Queiroz e Fabricio Ramos, será exibido em sete sessões em São Paulo, em diferentes cinemas e espaços culturais da cidade, como MIS – Museu de Imagem e Som, CineSesc, Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural São Paulo, Matilha Cultural, entre outros. As exibições acontecem na programação de dois eventos, a 10a. Edição da Mostra Mundo Árabe de Cinema, que acontece de 12 de agosto a 12 de setembro, e o 26o. Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo – Kinoforum, que acontece de 19 a 30 de agosto de 2015. “Muros” é a única produção baiana em ambos os eventos este ano.

Sessões do Muros pelo Kinoforum:

Captura de Tela 2015-08-12 às 19.02.07O filme, gravado no Nordeste de Amaralina e no Calabar, bairros de Salvador, traz a participação de Rogério Ferrari, fotógrafo baiano que conviveu e fotografou o povo palestino em Gaza, na Cisjordânia e nos campos de refugiados do Líbano e Jordânia, além de povos em luta em diversas partes do mundo. Ferrari põe em questão a precariedade social, urbana e arquitetônica de favelas brasileiras que, segundo ele, lembram, nesses aspectos, os campos de refugiados palestinos em que ele esteve. O curta revela a resistência e a afirmação da vida em bairros estigmatizados de Salvador, promovendo um encontro entre Cinema e Fotografia.

Muros, finalizado em abril de 2015, participou também da Mostra Oficial do I Festival Filmes da Estação, em Minas Gerais, e participará da 25a. Edição do DocAnt2015, Festival do Documentário Antropológico, que acontecerá em Buenos Aires de 3 a 5 de setembro. O curta, que ganhou o prêmio de melhor filme pelo Júri Técnico na Quinta Edição do Feciba – Festival de Cinema Baiano 2015, é uma realização independente realizada pelo selo Bahiadoc – arte documento e contou com apoio financeiro da Secretaria de Cultura da Bahia através de edital público de Audiovisual, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia em 2013.