Trailer do registro da viagem dos vaqueiros da Bahia a Brasília

[vimeo https://vimeo.com/76280460 w=570&h=320]

À convite do antropólogo Washington Queiroz, que há mais de trinta anos pesquisa e luta em favor do reconhecimento da cultura sertaneja, eu e Camele Queiroz (Bahiadoc) acompanhamos a comitiva de vaqueiros baianos que viajou, de ônibus, para Brasília, a fim de testemunhar, no Plenário do Senado, a votação do Projeto de Lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de vaqueiro no país. Realizamos um registro audiovisual que documenta a viagem e serve de memória, sobretudo para os vaqueiros baianos que representaram os vaqueiros de todo o país. Acima, a prévia do filme.

Sobre a lei, ouvi um proprietário rural que emprega vaqueiro dizer: “não vou mudar nada”. Respondi: “mas os vaqueiros vão mudar”. O sentimento de mais de 140 vaqueiros que foram a Brasília era de orgulho e sentido de luta por seus direitos e pelo reconhecimento simbólico de sua cultura, seus saberes e fazeres, de sua identidade, de sua mitologia. Gente de fibra, que conta com alegria (o nosso sentimento mais profundo) as tragédias que marcam as suas histórias do sertão e da caatinga.

Ouvimos histórias de muitos vaqueiros que vivem nas regiões mais precárias do sertão e da caatinga. As histórias revelam coragem e fé, mas também realidades graves. Vaqueiros que perderam filhos e pais, ou que morreram devido a erros médicos ou à falta de vagas em hospitais para tratamentos básicos, são algumas histórias que os vaqueiros contam atribuindo os destinos trágicos a Deus. Mas foram conversas em off, o propósito do filme foi outro, embora, de minha parte, não consigo descolar a existência do vaqueiro da do latifúndio, da exploração e da dominação social e política. Figuras humanas admiráveis, os vaqueiros.

Entre Canudos e quilombos – conversa com o cineasta Antônio Olavo

Como parte do trabalho que realizamos pelo Canal Bahiadoc, conversamos, numa manhã de sábado, com o cineasta Antônio Olavo, cuja trajetória como realizador é marcada pela abordagem de temas alicerçados nas vivências do povo negro e nas lutas sociais e históricas da Bahia. Em sua casa, Olavo contou como iniciou a sua relação com o cinema (participando como estagiário da produção de “Dona Flor e seus Dois Maridos”), comentou sobre a sua trajetória de militância política e sobre as suas realizações como documentarista.

Interessante notar que, durante a realização do filme “Quilombos da Bahia”, Olavo e sua equipe percorreram mais de 12 mil quilômetros pelo interior da Bahia, visitando centenas de comunidades negras, filmando em 69 localidades quilombolas. Como indica Olavo, “o filme rasgou o véu que cobria as comunidades quilombolas na Bahia”, contribuindo, inclusive, para revelar e mapear essas comunidades, o que favoreceu depois a implementação de políticas públicas básicas nessas localidades. O cinema, através do “Quilombos da Bahia”, chegou em tais localidades antes das instituições governamentais.

As vivências que Olavo conta sobre suas passagens por Canudos e pela história do lugar também são fascinantes. Aliás, é esta uma das riquezas da experiência do fazer documentário: as vivências e as transformações pessoais que impactam a nossa vida para além do cinema.

O cineasta realizou os filmes “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” (1993), “Quilombos da Bahia” (2004), “Abdias Nascimento: Memória Negra” (2008), e atualmente trabalha nos projetos “Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam” e “Revolta dos Búzios”.

O Canal Bahiadoc é uma realização do Bahiadoc – arte documento e traz uma série de seis webdocs com realizadores baianos. Os vídeos podem ser vistos em: http://www.bahiadoc.com.br/canalbahiadoc

insustentável leveza na rua

Na falta de espaços, criar as “ruas” no tempo, ocupando imaginários poéticos. A cidade dos carros ignora e mata o que é leve e frágil, como um balão amarelo que resiste enlevado nos ventos.

“insustentável leveza na rua”, criação, montagem e edição de Camele Queiroz. Câmera de Fabrício Ramos.

PAIDEIA – Arte movimento: http://paideiafilmes.wordpress.com

culturas em extinção

Como vemos o mundo?

Wade Davis, antropólogo pioneiro em pesquisa com plantas sagradas e botânica transcedental além de explorador da National Geographic, fala – no vídeo postado mais abaixo – sobre a importância da diversidade cultural e sobre o vetor fundamental de destruição humana: o Poder. As nossas relações com o meio – e com o outro – sempre vêm implicadas com a dominação, e esta, com a destruição.

Em vinte minutos, dos quais não podemos prescindir, Davis exalta a Etnosfera, essa rede de culturas, que é o grande legado de toda a humanidade, a soma total de pensamentos, sonhos, ideias, inspirações, intuições, trazidas à tona pela imaginação humana desde o alvorecer da consciência. Uma diversidade enorme de culturas, no entanto, está desaparecendo do planeta a uma taxa alarmante.

Especula-se que somos hoje o reflexo de um processo que já dura 150 mil anos, tempo de existência da espécie humana. Contemporaneamente, em nossa civilização ocidental, depois de séculos de amplo esforço para idealizar o real, passamos a enfrentar a ânsia de realizar o ideal. Que neste rico e árduo processo de existir, nós – humanidade – possamos aprender não a tolerar (tolerância é uma forma de hipocrisia), mas sim a respeitar as diferenças, convivendo com o fundamental aprendizado do outro.

Vinte minutos que nos propõe uma reflexão essencial sobre consciência e vida. Quem sabe, nossos desertos de experiências do mundo e da vida voltem a florescer…

FOLI: não há movimento sem ritmo

À medida que o filme avança, o ritmo se revela presente em cada movimento cotidiano, e vai nos envolvendo com crescente e sensível exuberância. Em FOLI, THERE IS NO MOVEMENT WITHOUT RHYTHM (Foli, Não há Movimento Sem Ritmo), Thomas Roebers and Flortis Leeuwenberg realizam a montagem como criadora do ritmo. Fascinante!

FOLI é a palavra para ritmo nas tribos Malinké, povo que vive predominantemente na África ocidental. O filme foi produzido por Thomas Roebers e Floris Leeuwenberge que, juntamente com a equipe, filmaram durante um mês em Baro, Guineé, África.

Uma dica do facebook do Rogelio Casado.

arte, documento e culturas do sertão

Enfrentando mais um difícil período de seca, vaqueiros de diversas regiões do sertão baiano foram à Feira de Santana e desfilaram montados e encourados até o Centro de Cultura, onde participaram da Celebração das Culturas dos Sertões. O vídeo Vaqueiros da Bahia (5min) é uma breve homenagem do Bahiadoc – arte documento à força, coragem e à riqueza cultural que caracteriza o sertanejo. É importante ressaltar, entretanto, que a história e a cultura do vaqueiro, embora rica em si mesma enquanto força expressiva, liga-se estreitamente com a histórica questão do latufúndio no nordeste.

Sete bilhões de Outros

Afinal, qual o sentido da vida? é uma questão universal: os sonhos, a tarefa impossível, os medos, o amor, a morte.

O projeto de vídeo-exposição “Sete bilhões de Outros” [ http://www.7billionothers.org/pt ], iniciado em 2003 por Yann Arthus-Bertrand, Sibylle d’Orgeval e Baptiste Rouget-Luchaire (dez anos depois do fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand apresentar ao mundo o seu documentário A terra vista do céu), apresenta um diversificado e representativo panorama da misteriosa e fascinante contingência da vida humana no mundo. Seis diretores filmaram mais de seis mil entrevistas em 84 países, inclusive no Brasil, buscando a maior diversidade possível de personalidades: diferentes meios sociais, faixas etárias, profissões, opções religiosas e diferenças étnicas.

Todos os entrevistados respondem às mesmas perguntas sobre “seus medos, sonhos, problemas, esperanças”: O que o amor representa para você? Que dificuldades enfrentou na vida? O que você aprendeu de seus pais e o que quer passar para os seus filhos?. Olham diretamente para a câmera, dirigindo-se ao espectador, propondo um exercício de aproximação, uma atmosfera de intimidade, uma certa cumplicidade que nos atrai – naquela relação mediada – para tudo em nós que é comum, universal, identitário com o outro – com todos os outros.

O resultado do projeto nos faz refletir: misturado a aparente diversidade das coisas e das cores, há em nós, sem dúvida, muito mais coisas que nos aproximam e nos unem do que coisas que nos separam. As nossas profundas semelhanças são muito mais essenciais do que as diferenças superficiais que tanto nos confundem.

[video] A política do cinema

Direção  l  Arthur Autran

A partir de depoimentos de profissionais e artistas ligados ao cinema, o filme contextualiza as políticas de Estado dedicadas ao cinema brasileiro desde a criação dos grandes estúdios nos anos 1950 até os contextos atuais.